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Resenha| Sherlock Holmes

quarta-feira, fevereiro 10th, 2010

Robert Dow­ney Jr é um ator que já brin­dou o espec­ta­dor com alguns belos per­so­na­gens ao longo da car­reira, e é uma pena que Hollywood o tenha “des­co­berto” de uma forma tar­dia, já que bas­tou fazer Homem de Ferro e agora ele está na crista da onda.

O mesmo mag­ne­tismo ocorre em Sher­lock Hol­mes de Guy Ritchie?

Um pouco, se com­pa­rado aquele outro per­so­na­gem da Casa das Idéias. Entenda bem, o filme é entre­te­ni­mento, e Dow­ney Jr junto com Jude Law – no papel do inse­pa­rá­vel amigo John Wat­son – for­mam uma bela dupla encor­pando lutas, inves­ti­ga­ções, dra­mas pes­so­ais e momen­tos repen­ti­na­mente cômicos.

Robert Dow­ney Jr. como Sher­lock Holmes

Ape­sar de (pasme!) pouco asse­ado e psi­co­lo­gi­ca­mente à beira de um surto, a per­so­na­gem título é um gênio, inso­lente, diver­tido, um mulhe­rengo canas­trão e sofis­ti­cado que o faz lem­brar outro, e mais famoso, per­so­na­gem que inter­pre­tara há dois anos na obra de Jon Favreau.

No conto de Sir Arthur Conan Doyle, Sher­lock Hol­mes é extre­ma­mente cere­bral, minu­ci­oso e astuto. Quanto a isso fique des­pre­o­cu­pado, por­que é um ponto cer­teiro no roteiro de Michael Robert John­son, Anthony Peckham e Simon Kin­berg. Mesmo com a diver­são, pode haver certa resis­tên­cia dos mais rea­ci­o­ná­rios e tra­di­ci­o­nais, já que há uma fuga com­pleta daquela visão clás­sica, e difun­dida, das obras.

O método cien­tí­fico e a lógica dedu­tiva no des­ven­dar de pis­tas, ou mesmo no com­bate corpo a corpo, é de bater pal­mas ape­sar de um excesso aqui e acolá. Falando em lutas, nos con­tos o dete­tive é des­crito tam­bém como um exce­lente pugi­lista e esgri­mista, e Rit­chie usou e abu­sou da habi­li­dade mar­cial de Hol­mes. Quando há chance são socos, ponta-pé e quebra-quebra. Ah, esses dire­to­res e fil­mes caça-níqueis…

A trama

O filme já ini­cia com a dupla no ápice de des­ven­dar de uma série de assas­si­na­tos ocor­ri­dos em ritu­ais satâ­ni­cos por toda Lon­dres vito­ri­ana do século XIX, e o Lorde Blackwood – inter­pre­tado mui­tís­simo bem por Mark Strong – é a figura sinis­tra por detrás de tudo.

Sher­lock Hol­mes e Dr. Watson

Sen­ten­ci­ado a enfor­ca­mento, Blackwood jura que a morte é ape­nas o prin­cí­pio, e a obra dele con­ti­nu­ará. E assim é.

A per­so­na­gem mis­te­ri­o­sa­mente retorna do mundo dos mor­tos, desa­pa­re­cendo do túmulo, e uma nova leva de assas­si­na­tos desa­fia o exer­cí­cio inte­lec­tual de Hol­mes e Watson.

Em para­lelo um espa­ci­nho no roteiro para dra­mi­nhas pes­so­ais e desar­mo­nia envol­vendo os per­so­na­gens prin­ci­pais, mas que na ver­dade arran­cam algu­mas risa­das da pla­téia (seria tais atri­tos um alí­vio cômico ou arti­fí­cio para ocul­tar a ligei­rís­sima falta pro­fun­di­dade no roteiro?).

Dando maior com­ple­xi­dade, e intri­gando, mais a his­tó­ria… entra em cena Irene Adler, a única pes­soa que já fez a pro­eza de fazer de idi­ota, segundo dou­tor Wat­son, o mais bri­lhante dete­tive das estó­rias, e por duas vezes!

Hol­mes e Irene Adler

Sua par­ti­ci­pa­ção pode­ria ser de certo des­car­tá­vel – ape­sar da boa atu­a­ção de Rachel McA­dams — se não fosse o gan­cho que ela dá para a seqüên­cia garan­tida nos cinemas.

Tá ai um belo exem­plo de McGuf­fin, como diria Alfred Hit­ch­cock, que a trinca de rotei­ris­tas usa e desen­volve na película.

No mais, con­fira o filme já que Sher­lock Hol­mes é diver­são garan­tida, ideal para as férias, valendo bem o ingresso, e não espere mais disso.

Há quí­mica entre os ato­res, mis­té­rios, revi­ra­vol­tas, lutas, per­so­na­gens arqué­ti­pos e tudo na medida certa como deve ser um bom filme pipoca.

Divirta-se ao ver Robert Dow­ney Jr e Jude Law soca­dos, explo­di­dos, e desa­fi­a­dos a mon­tar um quebra-cabeça de evi­dên­cias sob a ótica de Guy Ritchie.

Nota: 8

Resenha | Zumbilândia

terça-feira, fevereiro 2nd, 2010

“Morra de dar risadas.”

Com  cer­teza, ao per­gun­tar para um nerd quais são uns dos seus mai­o­res temo­res quando comen­ta­mos assun­tos cor­re­la­tos a morte e coi­sas hor­rí­veis em um futuro pró­ximo, sua mente irá sem­pre dar aquele tom de escape da rea­li­dade ao dar aquela res­posta que sem­pre esteve na ponta da lín­gua: Zumbis!

Pois é! Mesmo na comé­dia os fil­mes sobre zum­bis, algo que em hollywood aca­bou por se tor­nar um gênero em sí, não dei­xam de ser algo assus­ta­dor, e variam entre o sus­pense e por incrí­vel que pareça, a mais pura diversão.

Este é o caso da atra­ção que che­gou aos cine­mas bra­si­lei­ros que veio tal­vez até errô­ne­a­mente, porém ao mesmo tempo cor­re­ta­menta tra­du­zido como Zum­bi­lân­dia (Zom­bi­e­land) no dia 29 de janeiro, cerca de três meses de atraso em rela­ção aos EUA, que teve sua estréia em outubro .

Desde a década de 60, o pio­neiro do gênero George Romero, trouxe estas cri­a­tu­ras mor­tas e pútri­das e por muito tempo até os dias de hoje garan­ti­ram boas doses de diver­são diante às telas, e depois de inú­me­ras pro­du­ções que abor­da­ram o assunto, todos os ele­men­tos migra­ram da novi­dade para o cli­chê, e na ten­ta­tiva de tra­zer um novo fôlego ao gênero, suce­deu assim a inser­ção da comé­dia no bom e velho ele­mento zumbi.

Colum­bus em “ação”!

Um des­tes exem­plos acon­te­ram na década de 80 com A Volta dos Mor­tos Vivos diri­gida por Dan O’Bannon (sátira do clás­sico A noite dos Mor­tos Vivos)e mais recen­te­mente no ano de 2004 com Todo Mundo Quase Morto (Shaun of The Dead) em 2004 do inse­pa­rá­vel e com­pe­tente trio Edgar Wright (dire­ção), Simon Pegg e Nick Frost (as diver­ti­dís­si­mas estre­las do filme), que trou­xe­ram do ter­reno bri­tâ­nico seu humor negro habil­mente ali­ado ao gênero zumbi.

Mas aí esta Zum­bi­lân­dia, e ape­sar de nova­mente todos os cli­chês e este­reó­ti­pos pos­sí­veis e ima­gi­ná­veis esta­rem pre­sen­tes em cena, a diver­são salta em alto estilo da telona,  gra­ças á ótima dire­ção de Ruben Fleis­cher, ao sim­ples, porém efi­caz roteiro da dupla Rhett Reese e Paul Wer­nick e as diver­ti­das atu­a­ções do elenco cons­ti­tuído por Woody Har­rel­son, Jesse Eisen­berg, Emma Stone e Abi­gail Bres­lin. Todos apa­ren­te­mente bem dis­pos­tos a mais uma vez enca­ra­rem os papéis do Anti-heroi Bad-Ass, do covarde, e dos malandros.

A resis­tên­cia!

O jovem Colum­bus (Eisen­berg), ape­lido que a pro­pó­sito vem de sua cidade de ori­gem, coisa que se aplica aos demais, é um dos não muito bra­vos sobre­vi­ven­tes do apo­ca­lipse Zumbi que rege a sua vida com regras bási­cas de resis­ten­cia con­tra a praga que assola a face da terra, regras  diga-se de pas­sa­gem, defi­ni­das na tela de maneira muita diver­tida com carac­te­res que inte­ra­gem com os per­so­na­gens e os ambi­en­tes em meio as cenas. A antí­tese de Colum­bus é encon­trada mais tarde no ina­ba­lá­vel per­so­na­gem  de Tal­lahas­see (Har­rel­son), per­so­na­gem valen­tão cuja cora­gem e ausên­cia de medo vem da idéia de não ter mais nada a perder.

No rol des­tes este­reó­ti­pos ainda con­ta­mos com a jovem dupla femi­nina, Wichita (Stone) e Lit­tle Stone (Bres­lin), que sobre­vi­vem ao caos em dar peque­nos gol­pes, o que lhes garan­tem uma irri­tante van­ta­gem sobre a dupla dos inu­si­ta­dos heróis.

Como toda boa his­tó­ria cli­chê o grupo deixa as dife­ren­ças de lado unindo for­ças con­tra a ame­aça maior e em prol da busca do habi­tual refú­gio seguro.

O filme é regado com ótima cenas cômi­cas asso­ci­a­das com ação típica do gênero, sem men­ci­o­nar da tama­nha quan­tia de meto­dos efi­ci­en­tes para  ani­qui­lar estas hor­ren­das cri­a­tu­ras, todas per­ten­cen­tes ao vasto reper­tó­rio do hilá­rio e habi­li­doso Tallahassee.

Outro ponto posi­tivo é a ine­bri­ante intro­du­ção de Zum­bi­lân­dia com óti­mas cenas em Slow Motion ao melhor estilo Zack Sny­der, que com­bi­nam o hor­ror gore, a ação com a espe­ta­cu­lar tri­lha de Metal­lica (From Whom The Bell Tolls) ao fundo, que geram um diver­tido cha­ma­riz para o público.

O “Bad Ass” Tal­lahas­see em Ação

A única pro­posta de Zum­bi­lân­dia é a diver­são (bem retra­tada em um embate épico dos nos­sos heróis con­tra tais cri­a­tu­ras em um par­que de diver­sões). Um filme des­pre­ten­si­oso com o único intuito de entre­ter aos mais fer­vo­ro­sos fãs do gênero, mesmo sendo vol­tado para a comé­dia. Sem men­ci­o­nar na grande par­ti­ci­pa­ção espe­cial de Bill Mur­ray (atu­ando como sí mesmo) que deu uma ótima dinâ­mica aos demais mem­bros do elenco. O jovem Eisen­berg (pos­si­vel­mente mais conhe­cido por aqui pelo fraco Amal­di­ço­a­dos) e Woody Har­rel­son, mesmo sem os demais ele­men­tos que fazem de Zum­bi­lân­dia uma ótima dica de diver­são, garan­tem seu ingresso com cenas dig­nas do gênero comé­dia bem dis­tri­buí­das nos seus 88 minu­tos de duração.

Enfim, Zum­bi­lân­dia é diver­são garan­tida para fãs do gênero Zumbi ou sim­ples­mente para os ávi­dos por uma boa risada,  em um vasto mar de pés­si­mas comé­dias hollywoodianas.

Nota: 8,5

Resenha | Avatar, de James Cameron

quarta-feira, dezembro 23rd, 2009

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James Came­ron é um mago dos cine­mas, e há vinte e cinco anos quando trouxe ao mundo O Exter­mi­na­dor do Futuro, pas­sou a tri­lhar o cami­nho que o con­sa­gra­ria como um dos mais pro­lí­fi­cos dire­to­res que já pas­sou por este pla­neta.
Ele rotei­ri­zou Ava­tar há um bom tempo, com uma trama básica, mas lite­ral­mente enga­ve­tou a idéia, esquecendo-a, afi­nal, não havia tec­no­lo­gia para fazer jus ao que ele pro­pu­nha no conto. E foi assim até que, certo dia, o homem reti­rou o calha­maço de onde guar­dara, lite­ral­mente tirando a poeira, e viu que ali real­mente havia um enorme poten­cial para um épico.

Foi pouco mais de uma década de pura e cal­cu­lada pre­pa­ra­ção, de aca­ba­mento no roteiro, busca pelo aper­fei­ço­a­mento tec­no­ló­gico com a ajuda dos melho­res artis­tas do ramo para tor­nar tudo “real”. Então a Fox arcou com o orça­mento de 400 milhões de dóla­res, um dos mais caros inves­ti­men­tos nessa indús­tria. Foi assim que Came­ron rom­peu o jejum de doze anos de dire­ção. Ele tinha atin­gido o seu ápice com Tita­nic, nada menos que a maior bilhe­te­ria da His­tó­ria do Cinema, e agora, final­mente, tem os recur­sos neces­sá­rios para tor­nar o uni­verso de ima­gens, sons, cores e tex­tu­ras quase que pal­pá­veis na tela de pro­je­ção. O estú­dio sim­ples­mente embar­cou no auda­ci­oso pro­jeto. Era o mínino, já que ele se tor­nou um dos cine­as­tas mais ren­tá­veis da casa.

Mas chega de enro­la­ção. Senho­ras e senho­res vamos a Avatar.

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Jake Sul­li­van, nas for­mas de humano e Na’vi

Jake Sul­li­van (inter­pre­tado pelo ator Sam Worthing­ton) é um marine para­plé­gico que embarca numa via­gem espa­cial que dura cinco anos para che­gar ao pla­neta Pan­dora, o local mais hos­til que um ser humano pode estar. Ele faz parte de um pro­grama em que a cons­ci­ên­cia humana é trans­fe­rida a um ava­tar, um corpo que é a mis­tura de DNA humano com os nati­vos do pla­neta, os Na’vi. A fun­ção é se inte­grar aos habi­tan­tes locais, conhe­cendo a cul­tura e ganhar a con­fi­ança deles.

O motivo dessa emprei­tada é clara: Uma empresa mine­ra­dora quer o pre­ci­oso unob­ta­nium, abun­dante nas flo­res­tas, e com Jake na forma Na’vi as chan­ces dessa espé­cie ceder aos pla­nos dos huma­nos fica mais tan­gí­vel, teo­ri­ca­mente. Mas a ver­dade é que a região está ame­a­çada pela devas­ta­ção, e a impa­ci­ên­cia dos mili­ta­res cresce cada vez mais.

Enquanto que Sel­fridge (Gio­vanni Ribisi) — responsável pela empresa mine­ra­dora — e o Coro­nel Qua­ritch (Stephen Lang) estão exci­ta­dís­si­mos na busca por sub­ju­ga­ção, entra em cena a Drª. Grace (Sigour­ney Wea­ver), uma cien­tista com fun­ção diplo­má­tica como con­tra peso à igno­rân­cia capi­ta­lista e mili­tar. Ela ‘cate­quiza’, na forma de um Na’vi, os huma­nói­des, pro­vi­den­ci­ando cui­da­dos médi­cos, ensi­nando a lin­gua­gem humana, etc. Mas o cho­que entre cul­tu­ras é ine­vi­tá­vel, e o ‘Povo do Céu’ — os huma­nos – se per­pe­tua como os ali­ens, os inva­so­res, os vilões.

A trama lem­bra o con­ceito de his­tó­rias como O Último Samu­rai ou O Último dos Moi­ca­nos pela ques­tão do cho­que de cul­tura. Faça­mos um para­lelo entre Jake Sul­li­van e o capi­tão Algren — Tom Cruise na obra de Edward Zwick. Enquanto que Algren foi cap­tu­rado, Jake se deixa inse­rir na comu­ni­dade a ser estu­dada. Mas o que real­mente têm em comum é que ficam imer­sos na alte­ri­dade da cul­tura, assimilado-a, apren­dem a amá-la e no final um embate de gran­des pro­por­ções, dando a vida para protegê-la das for­ças mili­ta­res que enviou-lhe até lá.

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Ney­tiri, per­so­na­gem de Zoe Saldana

Per­fei­ta­mente lógico tam­bém fazer uma com­pa­ra­ção entre os Na’vi e a tribo dos Moi­ca­nos – do céle­bre filme onde Daniel Day Lewis inter­pre­tou Haw­keye. É de uma beleza infin­dá­vel os deta­lhes, a lin­gua­gem (que real­mente foi cri­ada), as cores, as flo­res­tas e seres lumi­nes­cen­tes, por serem extre­ma­mente atre­la­dos à ideia da dei­dade que os une, uma ener­gia que dá vida a tudo — Eywa. Outro ponto a des­ta­car é o espí­rito bravo e indo­má­vel dos nati­vos, que está extre­ma­mente refle­tido em Ney­tiri, per­so­na­gem de Zoe Sal­dana, o inte­resse amo­roso de Jake. É atra­vés dela que o herói é aceito pelos Na’vi, já que o sal­vara por ter um cora­ção puro, embora tei­moso e baru­lhento como uma criança.

A cap­tura de movi­men­tos está fan­tás­tica, bem como a com­pu­ta­ção grá­fica res­pon­sá­vel pela ambi­en­ta­ção, a ponto de não dis­tin­guir o que é real ou não, além de vários pla­nos de câmera mais aber­tos trans­pa­re­cendo a gran­deza do cená­rio de cacho­ei­ras, rochas, hori­zonte, o céu enso­la­rado, as flo­res­tas, e em dados ins­tan­tes, a câmera lenta em momen­tos mais ten­sos de bata­lha e efer­ves­cên­cia emo­ci­o­nal. Tudo foi basi­ca­mente cri­ado do zero. É impres­si­o­nante e difí­cil ima­gi­nar o enge­nho focado em tama­nho pro­jeto, mas no final é pos­sí­vel ver o resul­tado em Avatar.

É impres­si­o­nante a riqueza de cada deta­lhe é poten­ci­a­li­zada em clo­ses, com expres­sões faci­ais sutis, linhas do rosto, a refle­xão e absor­ção de luz na pele, o escor­rer de lágri­mas, a silhu­eta de cor­pos dese­nha­das no neón, etc.

Exis­tem pelí­cu­las de fic­ção cien­tí­fica que cer­ta­mente mar­cam a his­tó­ria da cine­ma­to­gra­fia mun­dial: Tri­lo­gia de Star Wars, De Volta Para O Futuro, Indi­ana Jones, Blade Run­ner, O Exter­mi­na­dor do Futuro 1 e 2, Ali­ens – O Res­gate, Matrix, entre outros. Se Ava­tar vai ou não se incluir no mesmo pan­teão, isso cabe a você espec­ta­dor deci­dir apon­tando o dife­ren­cial. A tec­no­lo­gia sabi­a­mente empre­gada em cada cena vai gerar essa discussão.

Mas mesmo com per­so­na­gens bem desen­vol­vi­dos e sem firu­las no fácil desen­ro­lar dos 162 minu­tos de acon­te­ci­men­tos, fique avi­sado que não há revi­ra­vol­tas ou momen­tos real­mente ines­pe­ra­dos. A his­tó­ria nos con­duz a cami­nhos já conhe­ci­dos, como águas vin­das da nas­cente que desem­bo­cam na foz. Você já conhece o des­tino. Mas é inte­res­sante saber como essa jor­nada se dá, e a tec­no­lo­gia se ajusta per­fei­ta­mente a isso como uma cober­tura espe­cial assen­tando uma cereja no topo do bolo, que dá todo o sabor especial.

Defi­ni­ti­va­mente 2009 foi o ano da ficção-científca, e Ava­tar é parada obri­ga­tó­ria para quem curte uma boa his­tó­ria, e você vai se sen­tir imerso num novo e bravo mundo, o qual James Came­ron conceituou!

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Nota do autor: 10

Resenha | 2012, de Roland Emmerich

quarta-feira, novembro 18th, 2009

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Alguns de vocês já devem ter visto pro­pa­gan­das na tele­vi­são sobre pre­ser­var o meio ambi­ente, jogar o lixo no lixo e cui­dar para que o Efeito Estufa não acabe der­re­tendo as pes­soas. E se junto a isso, uma pro­fe­cia maia fosse apre­sen­tada, onde o mundo que conhe­ce­mos ter­mi­na­ria em 21 de dezem­bro de 2012, com uma catás­trofe em escala mun­dial e a raça humana não sobreviveria?

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Inde­pen­dence Day e o Dia Depois de Amanhã

Pode pare­cer cli­chê demais para um filme vindo de Hollywood, mas fil­mes assim geram lucros para o estú­dio res­pon­sá­vel. E por­que não reto­mar essas pro­du­ções a cada 3 ou 4 anos? Roland Emme­rich apre­cia tanto isso, que já diri­giu Inde­pen­dence Day (1996) e O Dia Depois de Ama­nhã (2004), ambos suces­sos de bilhe­te­ria e crí­tica não tão espe­ran­çosa assim.

Logo no começo, somos apre­sen­ta­dos aos reais fatos: há mlha­res de anos, os maias escre­ve­ram a pro­fe­cia que o mundo irá ter­mi­nar em 2012. Calo­tas pola­res iriam se der­re­ter o nível dos mares subir e o núcleo da Terra iria se esquen­tar, nada mais justo que a Mãe Natu­reza se revol­tar con­tra seus inqui­li­nos humanos.

Eu – par­ti­cu­lar­mente – fui aos cine­mas com o pen­sa­mento: ‘Como ter­mina esse filme?’ Já des­con­fi­ava das cenas ‘for­ça­das’ que o filme teria, mas ainda sim, ten­tava adi­vi­nhar o final, óbvio, mas muito bem explicativo.

No meio da des­trui­ção ini­cial, des­co­bri­mos John Cusack no papel de Jack­son Cur­tis, pai sepa­rado, tra­ba­lha­dor até demais e que­rendo uma aten­ção a mais dos filhos.

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Danny Glo­ver, John Cusack e Chiwe­tel Eji­o­for: elenco de 2012

De outro lado, temos o geó­logo Adrian Helms­ley (Chiwe­tel Eji­o­for), um dos pri­mei­ros a des­co­brir as mudan­ças cli­má­ti­cas, ainda em 2009, e rela­tar tudo como con­se­lheiro cien­tí­fico ao pre­si­dente dos Esta­dos Uni­dos, nin­guém mesmo que Danny Glo­ver – a pro­fe­cia dizia que um líder negro de uma grande nação teria toda a sabedoria.

Para não criar um pânico mun­dial, os líde­res do G8 desen­vol­vem um pro­grama de sal­va­mento humano – sem spoi­lers para não estra­gar a parte boa do filme – e conta com a ajuda de pes­soas influ­en­tes e ricas do mundo todo.

KABOOM – Se Michael Bay é apai­xo­nado por máqui­nas e explo­sões, Roland exprime todo o seu poten­cial e o gordo orça­mento de US$ 260 milhões, nas cenas de des­trui­ção de Los Ange­les, Nova York, Havaii e China. São ter­re­mo­tos, cra­te­ras, incên­dios, vul­cões e a enorme tsu­nami, que pode ser vista nos trai­lers. Ele não dis­pensa nada, são litros e litros de ten­são e suor frio, de, ape­sar de  você não que­rer que aquilo acon­teça, espe­rar sen­tado para ver como foi bem uti­li­zada a ‘tela azul’, cri­ando uma bela simu­la­ção da realidade.

Exis­tem as cenas cli­chê, as fra­ses de efeito e a eterna huma­ni­dade cor­rendo para se sal­var do pla­neta em fúria. No final, a espe­rança de que, em algum lugar do mundo, esta­re­mos a salvo das bes­tei­ras que faze­mos hoje.

O sucesso que 2012 alcan­çou nos cine­mas em sua estreia é objeto de um vídeo muito inte­res­sante do Por­tal MSN, que você pode con­fe­rir cli­cando na ima­gem abaixo:

2012: estreia épica
2012: estreia épica

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Resenha | Os substitutos (Surrogates)

terça-feira, novembro 17th, 2009

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Ok! Sinop­ses foram escri­tas. Pôs­te­res foram divul­ga­dos e trai­lers exi­bi­dos, mos­trando a ciné­fi­los e espe­ci­al­mente fãs da Fic­ção Cien­tí­fica que este gênero ainda per­du­ra­ria por mais tempo com certa tran­qui­li­dade. Ao menos, foi esta a impres­são que todo mate­rial divul­gado sobre a nova pelí­cula a cargo do dire­tor Jonathan Mos­tow (Exter­mi­na­dor do Futuro 3: A Rebe­lião das Máqui­nas) pas­sou ao público.

O filme é estre­lado nada mais nada menos que pelo ator ícone dos anos 80 e ainda até hoje Bruce Wil­lis, ao lado de Radha Mit­chell, Rosa­mund Pike, Boris Kod­joe e James Cromwell.

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HQ “The Surrogates”

Os Subs­ti­tu­tos, pro­du­ção dos estú­dios Disney/Touchstone Pic­tu­res é base­ada na série em qua­dri­nhos Homô­nima da edi­tora Top Shelf (The Sur­ro­ga­tes) escrita por Robert Ven­ditti e com a arte de Brett Wel­dele, ini­ci­al­mente publi­cada em 2005 e conta a his­tó­ria de uma soci­e­dade futu­rista que vive suas vidas remo­ta­mente atra­vés de uma espé­cie de ava­tar ciber­né­tico, ou como por muito tempo foi conhe­cido em Hollywood, o bom e velho robô.

A novi­dade acaba se tor­nando um meio de segu­rança e item fun­da­men­tal inse­rido na vida do homem moderno. O que pode­mos com­pa­rar como o celu­lar ou o com­pu­ta­dor pes­soal, arti­gos hoje con­si­de­ra­dos indis­pen­sá­veis, mas que há 20 anos atrás, não faziam falta em abso­luto à sociedade.

Tanto a pro­du­ção cine­ma­to­grá­fica como a obra ori­gi­nal já foram com­pa­ra­das à con­vi­vên­cia das pes­soas em sites de rela­ci­o­na­mento, à tri­lo­gia de fic­ção “Matrix” e até mesmo a games como The Sims, que con­cede ao joga­dor a pos­si­bi­li­dade de cons­truir seu ava­tar em um plano vir­tual onde seu per­so­na­gem pode ser cus­to­mi­zado ao seu bel prazer.

Depois de mui­tas expec­ta­ti­vas Sur­ro­ga­tes chega sem muito alarde e jus­ti­fica ple­na­mente sua baixa ren­ta­bi­li­dade nas bilheterias.

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Bruce Wil­lis é Tom Greer

Tom Greer (Wil­lis) é um poli­cial (e usuá­rio de uma uni­dade Sur­ro­gate, como a mai­o­ria dos huma­nos até então) que ao lado do Agente Peters (Radha Mit­chell), inves­ti­gam a morte de duas pes­soas liga­das a des­trui­ção de suas uni­da­des subs­ti­tu­tas. O caso, até então sem pre­ce­den­tes, obriga a Gre­ers a aban­do­nar seu subs­ti­tuto mecâ­nico ao des­co­brir que uma grande cons­pi­ra­ção se esconde por detrás deste uni­verso de caos con­tro­lado, onde tais máqui­nas detur­pam o senso de rea­li­dade da soci­e­dade moderna fazendo com que as pes­soas se des­pren­dam da real neces­si­dade de con­tato humano em um uni­verso onde o mais impor­tante são as aparências.

O longa aca­bou por se tor­nar uma ten­ta­tiva frus­trada de para­fra­sear gran­des mes­tres da fic­ção lite­rá­ria como Phil­lip K. Dick e Isaac Asi­mov, que sem­pre levan­ta­vam ques­tões filo­só­fi­cas, éti­cas e morais refe­rente ao com­por­ta­mento da soci­e­dade moderna com o cons­tante, e no caso, absurda evo­lu­ção da tec­no­lo­gia supos­ta­mente ali­a­das ao homem.

Os Subs­ti­tu­tos é um filme com dire­ção falha, elenco sem quí­mica, cenas de ação cli­chê, e sin­ce­ra­mente, com uma pós pro­du­ção que não sur­pre­ende. Se ainda esti­ver inte­res­sado em con­fe­rir Os Subs­ti­tu­tos, deixe que seu “Sur­ro­gate” faça isso com esta pro­du­ção nota 4,5.

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Os Subs­ti­tu­tos (Sur­ro­ga­tes)
Dire­ção: Jonathan Mos­tow
Elenco: Bruce Wil­lis, Radha Mit­chell, James Cromwell, Ving Rha­mes, Rosa­mund Pike e Boris Kodjoe.

Resenha | Garota Infernal

terça-feira, novembro 10th, 2009

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Dia­blo Cody está se mos­trando ver­sá­til, já que logo após rotei­ri­zar Juno — um hype que lhe ren­deu Oscar de Melhor Roteiro Ori­gi­nal — brinda os fãs dela com a his­tó­ria de Garota Infer­nal, diri­gida por Karyn Kusama, uma defa­sa­gem de gênero gri­tante, se com­pa­rada com o pri­meiro trabalho.

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Megan Fox parte para o ata­que. E não há defesa!

A nova pelí­cula é estre­lada pela musa nerd Megan Fox. A fama da atriz sem­pre a pre­ce­deu gra­ças aos polê­mi­cos comen­tá­rios, como se decla­rar ‘sexu­al­mente agres­siva’, por se sen­tir atraída por mulhe­res e achar homens sujos, e por fim, por apa­ren­tar ser fútil, mimada e super­fi­cial. E assim foi cons­truída a per­so­na­gem Jen­ni­fer, vivida por Fox, uma líder de tor­cida per­fei­ti­nha e irri­tante que, após um ritual satâ­nico, volta — inad­ver­ti­da­mente — como um demô­nio comendo garo­tos, literalmente.

Tudo começa mesmo quando Jen­ni­fer e Needy (Amanda Sey­fried) vão a uma apre­sen­ta­ção de rock da banda do per­so­na­gem de Adam Brody. A garota título do filme se der­rete toda, usando de todo charme e poder de per­su­as­são para ficar com ele. Mas mal sabia ela do perigo que estava por embar­car: ser sacri­fi­cada por Adam Brody e seus asse­clas, tudo para obte­rem reco­nhe­ci­mento profissional.

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Jen­ni­fer e Needy

A more­naça sem­pre encon­trou apoio numa ami­zade — muito que nociva — em Needy (Amanda Sey­freid), loi­ri­nha nerd que na ver­dade não passa de um capa­cho da líder de tor­cida. A prova cabal é igno­rar o pedido da bon­dosa e ingê­nua amiga de não ir embora com os estra­nhos inte­gran­tes da ban­di­nha ado­les­cente após o incên­dio que se deu no concerto.

Mesmo que bem fil­mado, ren­der boas risa­das e sus­ti­nhos — Megan Fox não chega a arre­piar de ver­dade quando ensan­guen­tada — , o foco, obvi­a­mente, sem­pre recai em Jen­ni­fer e na sen­su­a­li­dade dela, um fato que pode tor­nar tudo meio apelativo.

Vide a cena que paira no cons­ci­ente cole­tivo mas­cu­lino:  o les­bi­ano entre as melho­res ami­gas com direito à decote e shor­ti­nho aper­tado dei­ta­das na cama, cena tal que a musa nerd disse mor­rer de ver­go­nha ao realizá-la com a par­ceira Seyfried.

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Jen­ni­fer com o cão no belo corpo

E quando há um esforço na ten­ta­tiva de assus­tar, vemos que são momen­tos que não pas­sam de um segui­mento do escopo de O Exor­cista (para que insis­tir em cenas reles de vômito e em flutuar?).

Con­tudo, a escri­tora Dia­blo Cody e a dire­tora Karyn Kusama sou­be­ram apro­vei­tar o ar sexy de Megan Fox, e quando anun­ci­ada a pro­du­ção, firmou-se certa expec­ta­tiva, ainda mais por supos­ta­mente mos­trar ima­gens de Megan Fox com os seus dotes à mos­tra, como bem com­pro­vam vários sites na rede.

Digo-lhes, tudo não passa de morde-assopra, insi­nu­a­ções do iní­cio ao fim. Mas ainda há muito tempo para Cody mos­trar a com­pe­tên­cia no ramo cine­ma­to­grá­fico e cer­ta­mente Garota Infer­nal vale o ingresso!

E se você ainda nem sequer viu um dos trai­lers, con­fira o tea­ser do MSN Vídeos, e tenha a per­feita noção do que espe­rar deste longa.

Resenha | Distrito 9

terça-feira, outubro 20th, 2009

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Ao se ouvir pala­vras como “favela” e “ali­e­ní­ge­nas” na mesma sen­tença, seria no mínimo ine­vi­tá­vel asso­ciar um filme com tal pre­missa a uma pro­du­ção ques­ti­o­ná­vel de cate­go­ria “B”. Tal­vez até fosse esta a inten­ção ori­gi­nal­mente, mas isso pas­sou bem longe da defi­ni­ção cor­reta com a che­gada desta fic­ção feita com os que­si­tos fal­tan­tes em Hollywood: esmero, res­peito e criatividade.

A pro­du­ção é assi­nada por Peter Jack­son, dire­tor e pai da tri­lo­gia O Senhor dos Anéis, e bem, este é o ele­mento de maior des­ta­que em todo o filme, que é cons­ti­tuído por nomes que não fazem parte do habi­tual rol de estre­las e cine­as­tas da elite de Hollywood, mas que mesmo assim, se pagou em ape­nas três dias de exi­bi­ção, jus­ti­fi­cando os 30 milhões de dóla­res inves­ti­dos na produção.

Mas vamos come­çar cor­re­ta­mente e dar os devi­dos cré­di­tos a quem real­mente merece, pois esta atra­ção, ape­sar de mui­tos fato­res que garan­tem 100% de entre­te­ni­mento, se resume a dois nomes: o dire­tor e rotei­rista Neill Blom­kamp, que pode­mos con­si­de­rar até certo ponto um novato neste seg­mento, já que seus tra­ba­lhos de maior des­ta­que até então eram cré­di­tos como ani­ma­dor de efei­tos visu­ais em alguns epi­só­dios de séries de TV como Small­ville, Dark Angel e outras. E a atu­a­ção do ator sul afri­cano Sharlto Copley (tam­bém pro­du­tor e escri­tor por aque­las ban­das) que comen­ta­re­mos mais tarde.

Vamos ao filme.

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Resenha | Bastardos Inglórios

quinta-feira, outubro 15th, 2009

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Quen­tin Taran­tino real­mente sabe dei­xar a sua marca nos fil­mes que rea­liza. Da vio­lên­cia pra­ti­ca­mente gra­tuita e esti­li­zada sem­pre pre­ce­dida por diá­lo­gos afi­a­dos, intri­gan­tes e curi­o­sos, ao banho de san­gue e mor­tes de fato. Com a mais nova obra, Bas­tar­dos Ingló­rios, não foi diferente.

Como de praxe, nas his­tó­rias que dirige, a nar­ra­tiva é divida por capí­tu­los, mas ao con­trá­rio de Pulp Fic­tion, refe­rên­cia mor do cine­asta, o conto segue uma linha tem­po­ral con­tí­nua, ou seja, não há vai-e-vem, e par­ti­cu­lar­mente foi em ordem cro­no­ló­gica que a pro­du­ção foi gra­vada, fator raro em Hollywood.

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Chris­toph Waltz como Hanz Landa

O ponto forte de Taran­tino, sem dúvida, é a inte­ra­ção e cons­tru­ção dos per­so­na­gens, a come­çar pelo coro­nel Hans Landa (o ator Chris­topher Waltz), o ‘Caça­dor de Judeus’, apre­sen­tado em uma intro­du­ção tensa, ao dia­lo­gar com um homem sus­peito de abri­gar fugi­ti­vos judeus numa fazenda.

É o per­so­na­gem que tem mais pre­sença ao longo de uma hora e meia de fita.

O jeito como a câmera cir­cunda os ato­res à mesa e a ten­são na música de fundo — o maes­tro ita­li­ano Ennio Mor­ri­cone com­põe parte da tri­lha do filme– já pre­nun­ciam o mas­sa­cre. De lá, a jovem Sho­sanna foge sendo a única sobrevivente.

Qua­tro anos depois a per­so­na­gem é dona de um cinema em Paris, ter­ri­tó­rio con­tro­lado por nazis­tas, no auge da Segunda Grande Guerra, e sua beleza chama a aten­ção de Fre­de­rick Zol­ler (Daniel Brühl), que estrela uma pelí­cula que reforça o pode­rio ale­mão frente aos ini­mi­gos de guerra.

Por ter reco­nhe­ci­mento de bra­vura den­tre os mili­ta­res ale­mães, ele con­se­gue a chance de fazer a estreia desse mesmo filme no cinema da bela jovem, que­rendo em troca, obvi­a­mente, afa­gos da loira que não são correspondidos.

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Aldo Raine, vivido por Brad Pitt

Já os ‘bas­tar­dos’ for­mam uma divi­são espe­cial de sol­da­dos ame­ri­ca­nos e judeus que tem um obje­tivo somente: matar os nazis­tas, como o pró­prio tenente Aldo Raine (Brad Pitt) diz aos seus subor­di­na­dos. A obses­são dele, refor­çada pelo sota­que do Ten­nes­see, ao falar sobre como adora iden­ti­fi­car e matar cada nazista filho da mãe que puder é de um trans­torno obses­sivo com­pul­sivo impagável!

Ape­sar de pro­ta­go­nista, não se engane: ele con­se­gue ser tão doen­tio quanto os adver­sá­rios, afi­nal, não é nada nor­mal exi­gir cem escal­pos de cada um dos sol­da­dos que comanda.

Se vio­lên­cia não lhe agrada, caro lei­tor, então a his­tó­ria cer­ta­mente não é para você, já que é um dos mais vio­len­tos de toda a fil­mo­gra­fia de Taran­tino. A cena que jus­ti­fica tal fato é quando um pri­si­o­neiro nazista é man­tido sob o julgo do per­so­na­gem de Pitt, e quando se recusa a aju­dar os bas­tar­dos entra em ação o bru­cutu do sar­gento Don­nie Donowitz, que tam­bém atende pela alcu­nha de ‘Urso Judeu’ (Eli Roth). Aqui, surge a vio­lên­cia gra­tuita, e até des­ne­ces­sá­ria, quando Don­nie estoura a cabeça do pri­si­o­neiro de guerra com um bas­tão de beisebol.

Isso foi ape­nas o começo do que estava por vir, mas acalme-se, já que ape­sar de tama­nha sel­va­ge­ria, este ocorre em momen­tos espe­cí­fi­cos, bem espa­ça­dos entre lon­gos diá­lo­gos acom­pa­nha­dos de pla­nos de câme­ras primorosos.

Diane Kruger como Bridget von Hammersmark

Diane Kru­ger no papel de Brid­get Von Hammersmark

A união dos cami­nhos dos bas­tar­dos e de Sho­sanna acon­tece jus­ta­mente a noite no cinema na qual todos os gran­des cabe­ças do Ter­ceiro Reich esta­rão alo­ca­dos. A atriz e agente infil­trada Brid­get Von Ham­mers­mark (Diane Kru­ger) é o elo para fazer com que os sol­da­dos ame­ri­ca­nos tenham a chance de aca­bar com a guerra, exe­cu­tando o plano de matar Adolf Hilter.

Mas ape­sar da sim­pli­ci­dade do plano de Aldo, na prá­tica, ele e os bas­tar­dos pas­sam por pou­cas e boas, com um des­fe­cho digno de aplausos.

Se for fã do dire­tor, não pode per­der a forma como é con­du­zida a his­tó­ria e é lapi­dada a per­so­na­li­dade de cada um que brota na tela de pro­je­ção. Vá ao cinema ver tes­tí­cu­los estou­ra­dos, diá­lo­gos afi­a­dos, mor­tes insa­nas, escal­pos, tiro­teios e um Hitler his­té­rico, rubo­ri­zado e res­pin­gando per­di­go­tos ao ar, sim­ples­mente por­que Taran­tino ainda é o cara!

Quando os games viram filmes

terça-feira, outubro 13th, 2009

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Sema­nas atrás, eu fiz um artigo cri­ti­cando a estra­té­gia de algu­mas pro­du­to­ras, quando um filme está para ser lan­çado, de criar um jogo qual­quer para que seja divul­gado ao mesmo tempo. Se por acaso per­deu essa coluna, dê uma olhada agora.

Mas e quando acon­tece o con­trá­rio? E quando os figu­rões de Holywood olham para um deter­mi­nado game e pen­sam “hey, mesmo sem conhe­cer nada sobre este jogo, eu posso lucrar com um filme base­ado nele!”

E é aí que vemos algu­mas obras ele­trô­ni­cas terem uma muta­ção em fil­mes que, tal­vez muito de longe e no escuro, lem­brem aquele game que jogamos.

Os exem­plos são mui­tos. Hoje, já temos lan­ça­dos mais de 50 fil­mes base­a­dos em games, e outros 50 estão pro­gra­ma­dos ou em fase de pro­du­ção. Mas grande parte deles, ou melhor, quase todos são lem­bra­dos por serem pés­si­mas adap­ta­ções de rotei­ros (que ori­gi­nal­mente seriam até cine­ma­to­grá­fi­cos), perdendo-se os deta­lhes ori­gi­nais ou exa­ge­ra­rando em pon­tos des­ne­ces­sá­rios. Somente quero citar alguns exem­plos, e come­ça­rei com a série Resi­dent Evil.

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George Romero e Jill Valen­tine, em Resi­dent Evil 1

Resi­dent Evil seria rotei­ri­zado e diri­gido por nin­guém menos que George Romero, sim­ples­mente um dos melho­res dire­to­res de fil­mes com zum­bis de todos os tem­pos (e que por sinal diri­giu um comer­cial de Resi­dent Evil 2 de grande reper­cus­são no Japão). Após fina­li­zado o script, a Sony e a Cap­com demi­ti­ram Romero, ale­gando que o filme iria se pare­cer muito com o game.

É, isso o que você leu tá certo. A Sony Pic­tu­res que­ria trans­for­mar o filme em uma ver­são mais “com­bate”, reti­rando todo o lado de sus­pense do jogo, per­dendo “só” a sua carac­te­rís­tica prin­ci­pal. Só pra você ter uma idéia, Chris Red­fi­eld, Jill Valen­tine, Albert Wes­ker e Barry Bur­ton esta­vam pre­sen­tes no roteiro, que iria se basear muito no game ori­gi­nal para o seu scre­en­play. Romero jogou o jogo na Cap­com, gra­vou o game­play, estu­dou as câme­ras do jogo e baseou todo o seu roteiro nisso. Ia ser um filme perfeito.

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Alice, a des­car­nada pro­ta­go­nista nos fil­mes de RE

Mas não foi o que vimos nas telo­nas. Se reti­rar­mos a quase ausên­cia de refe­rên­cias aos games, o filme é sim­ples­mente um filme de zum­bis, enquanto que Resi­dent Evil (o jogo) seria um roteiro per­feito de sus­pense para se levar à tela, supe­rior a vários fil­mes do gênero que estão sendo lan­ça­dos atualmente.

Mas, ao invés disso, tive­mos uma pro­ta­go­nista des­co­nhe­cida, num local sem refe­rên­cias dire­tas à man­são do pri­meiro game, e o máximo que pude­mos iden­ti­fi­car foi o nome da Umbrella Cor­po­ra­tion. E dê-se por satis­feito. E não, eu me recuso a comen­tar qual­quer coisa que foi feita após esse filme, prin­ci­pal­mente a parte em que a Alice (Milla Jovo­vich) é trans­for­mada numa “super soldado”.

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Lara Croft e Ange­lina Jolie

Mas não para por aí. Tive­mos tam­bém Lara Croft: Tomb Rai­der, que por si só já garan­tia um roteiro estilo “Indi­ana Jones de saia”, caso seguisse o jogo no qual foi base­ado. A esca­la­ção da atriz Ange­lina Jolie não foi das pio­res, porém a atriz abu­sou da canas­trice a ponto de rece­ber uma indi­ca­ção ao prê­mio Fram­bo­esa de Ouro, o Oscar Bizarro de Holywood. Não se pare­cia com a atlé­tica pro­ta­go­nista do game, e ao invés disso ficava fazendo char­mi­nho e não mos­trava muito o lado arque­o­ló­gico do jogo.

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Street Figh­ter — o Filme

Street Figh­ter merece o título de um dos pio­res fil­mes já fei­tos pelo con­junto da obra: os per­so­na­gens mais caris­má­ti­cos da série, Ryu e Ken, rele­ga­dos a papéis secun­dá­rios; um Bison magro e sem assus­tar nin­guém; um Guile sem o cabe­lão loiro que mar­cava o per­so­na­gem; Cammy toda sim­pá­tica; Chun-li repór­ter (e ela sem­pre foi poli­cial); um Blanka magrelo feito na maqui­a­gem quando a com­pu­ta­ção grá­fica já rodava a ple­nos pul­mões; um Dhal­sim médico e com cabelo. Tudo isso reche­ando um enredo pífio com uma das repre­sen­ta­ções de pode­res mais absur­das que já vimos. Não existe UM HADOUKEN QUE SEJA NO FILME INTEIRO. No máximo, um soco que o Ryu dá e uma luz pisca. E eu ainda podia con­ti­nuar por horas falando mal desse filme, mas não seria justo. Temos outras tos­quei­ras a lembrar.

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Alone in the Dark: do mes­tre Uwe Boll

Temos tam­bém Alone in the Dark, filme base­ado no jogo Alone in the Dark: The New Night­mare, que mar­cou o renas­ci­mento da série nos con­so­les mais atu­ais, depois de um vazio de 7 anos entre os jogos. O filme apre­senta falhas no con­ti­nuísmo do roteiro que che­gam a ser gri­tan­tes, porém merece algum cré­dito por ter refe­rên­cias cla­ras ao jogo no qual foi base­ado (como por exem­plo o pro­ta­go­nista ser o mesmo dos games, ou o fato de o roteiro ser real­mente base­ado em um dos jogos. Apren­de­ram, pro­du­to­res de Resi­dent Evil?)

E a lista vai longe. Silent Hill, Blo­o­drayne (mise­ri­có­rida!), Hit­man, Pos­tal, Far Cry, Max Payne e Mor­tal Kom­bat, todos já foram des­gra­ça­dos nas telo­nas gra­ças a rotei­ros incom­pe­ten­tes e adap­ta­ções mal fei­tas. Aliás, essa lista é tão extensa que o site Screwattack.com fez um Top 10 sobre “Pio­res fil­mes base­a­dos em Games” e Resi­dent Evil con­se­guiu ficar de fora!

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Jake Gyle­nhall como Das­tan no filme de Prince of Persia

Mas não é só isso, a pro­gra­ma­ção dos estú­dios con­tém novas víti­mas, com estreia mar­cada para breve, num cinema perto de você! Estão na lista: Army of Two, Prince of Per­sia, Metal Gear Solid (esse deu um aperto no cora­ção!), um novo Mor­tal Kom­bat (pra quê??), Gears of War e King of Fighters.

Sin­ce­ra­mente, não custa aos pro­du­to­res, rotei­ris­tas e dire­to­res JOGAREM O JOGO AO MENOS UMA VEZ! E tam­bém não custa às pro­du­to­ras apre­sen­ta­rem o que foi pro­posto ori­gi­nal­mente naque­les games, ao invés de somente lar­gar a sua fran­quia nas mãos de outras pes­soas que terão a liber­dade de jogar o nome na lama.

As emo­ções pro­pos­tas estão pre­sen­tes nos jogos e assim que eles puse­rem as mãos para jogar vão saber o que fazer para trans­for­mar em fil­mes que os fãs irão gos­tar. Sigam o roteiro, não inven­tem, não acres­cen­tem, não mudem nada sem saber qual a opi­nião dos fãs. E só desse jeito vocês irão agra­dar o público, e fazer um filme digno da repre­sen­ta­ção des­sas obras.

CNH #2 — Michael Mann

terça-feira, setembro 15th, 2009

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(Aten­ção, este artigo pos­sui mais de uma página, e você pode usar os links acima e abaixo para nave­gar entre as par­tes do textos)

“Por as mãos na massa”.

Se esta expres­são fosse bati­zada de alguma outra forma no ramo cine­ma­to­grá­fico, é pro­vá­vel que o nome do dire­tor, pro­du­tor e escri­tor Michael Tho­mas Mann seria o mais apro­pri­ado para entrar em seu lugar.

Mann nas­ceu em 5 de feve­reiro de 1943 na cidade de Chi­cago, Illi­nois, Esta­dos Uni­dos, filho de um casal humilde da classe tra­ba­lha­dora que atu­ava no ramo de mer­ce­a­rias: um começo pequeno e modesto para um dos gigan­tes da direção.

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