Resenha| Sherlock Holmes
quarta-feira, fevereiro 10th, 2010
Robert Downey Jr é um ator que já brindou o espectador com alguns belos personagens ao longo da carreira, e é uma pena que Hollywood o tenha “descoberto” de uma forma tardia, já que bastou fazer Homem de Ferro e agora ele está na crista da onda.
O mesmo magnetismo ocorre em Sherlock Holmes de Guy Ritchie?
Um pouco, se comparado aquele outro personagem da Casa das Idéias. Entenda bem, o filme é entretenimento, e Downey Jr junto com Jude Law – no papel do inseparável amigo John Watson – formam uma bela dupla encorpando lutas, investigações, dramas pessoais e momentos repentinamente cômicos.

Robert Downey Jr. como Sherlock Holmes
Apesar de (pasme!) pouco asseado e psicologicamente à beira de um surto, a personagem título é um gênio, insolente, divertido, um mulherengo canastrão e sofisticado que o faz lembrar outro, e mais famoso, personagem que interpretara há dois anos na obra de Jon Favreau.
No conto de Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes é extremamente cerebral, minucioso e astuto. Quanto a isso fique despreocupado, porque é um ponto certeiro no roteiro de Michael Robert Johnson, Anthony Peckham e Simon Kinberg. Mesmo com a diversão, pode haver certa resistência dos mais reacionários e tradicionais, já que há uma fuga completa daquela visão clássica, e difundida, das obras.
O método científico e a lógica dedutiva no desvendar de pistas, ou mesmo no combate corpo a corpo, é de bater palmas apesar de um excesso aqui e acolá. Falando em lutas, nos contos o detetive é descrito também como um excelente pugilista e esgrimista, e Ritchie usou e abusou da habilidade marcial de Holmes. Quando há chance são socos, ponta-pé e quebra-quebra. Ah, esses diretores e filmes caça-níqueis…
A trama
O filme já inicia com a dupla no ápice de desvendar de uma série de assassinatos ocorridos em rituais satânicos por toda Londres vitoriana do século XIX, e o Lorde Blackwood – interpretado muitíssimo bem por Mark Strong – é a figura sinistra por detrás de tudo.

Sherlock Holmes e Dr. Watson
Sentenciado a enforcamento, Blackwood jura que a morte é apenas o princípio, e a obra dele continuará. E assim é.
A personagem misteriosamente retorna do mundo dos mortos, desaparecendo do túmulo, e uma nova leva de assassinatos desafia o exercício intelectual de Holmes e Watson.
Em paralelo um espacinho no roteiro para draminhas pessoais e desarmonia envolvendo os personagens principais, mas que na verdade arrancam algumas risadas da platéia (seria tais atritos um alívio cômico ou artifício para ocultar a ligeiríssima falta profundidade no roteiro?).
Dando maior complexidade, e intrigando, mais a história… entra em cena Irene Adler, a única pessoa que já fez a proeza de fazer de idiota, segundo doutor Watson, o mais brilhante detetive das estórias, e por duas vezes!

Holmes e Irene Adler
Sua participação poderia ser de certo descartável – apesar da boa atuação de Rachel McAdams — se não fosse o gancho que ela dá para a seqüência garantida nos cinemas.
Tá ai um belo exemplo de McGuffin, como diria Alfred Hitchcock, que a trinca de roteiristas usa e desenvolve na película.
No mais, confira o filme já que Sherlock Holmes é diversão garantida, ideal para as férias, valendo bem o ingresso, e não espere mais disso.
Há química entre os atores, mistérios, reviravoltas, lutas, personagens arquétipos e tudo na medida certa como deve ser um bom filme pipoca.
Divirta-se ao ver Robert Downey Jr e Jude Law socados, explodidos, e desafiados a montar um quebra-cabeça de evidências sob a ótica de Guy Ritchie.

Nota: 8















































