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    A Trajetória dos Super Heróis no Cinema – Parte 2

    Postado por Renato Benevenuto em julho - 15 - 2010

    Dando seqüência à nossa timeline de heróis no cinema, vamos rever agora a era de ouro do gênero: os anos 2000. Este foi o período da consolidação e evolução. A partir daí, o filme de super herói ganhou a atenção não só como filme pipoca, com roteiros bem feitos e cativando o público sem ter que apelar para heróis conhecidos. Vamos a eles!

    Prólogo: Blade (1998)

    Antes de falar do filme que chutou as portas, vamos rapidamente dar uma olhada no que apenas as abriu bem timidamente. Blade era um teste perfeito para a safra de filmes de heróis que a Marvel tinha interesse em lançar caso a resposta fosse positiva. Apesar de ser um personagem dos quadrinhos, não tinha muita cara de um dos heróis da editora. Assim, poderiam testar o interesse de um público “desavisado”, não ligado ao material original, além dos fãs. Como tudo deu certo, foi formado o cenário que conhecemos hoje!

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    2000: X-Men

    Agora sim, a Marvel estava decidida a colocar suas franquias de cabeça no cinema. X-Men arrebatou os corações dos nerds mundo afora já no anúncio da sua produção. O filme tinha um ótimo elenco e um diretor (Bryan Singer) que conhecia as histórias. Curiosidade: ele foi até os estúdios de gravação de A Ameaça Fantasma para aprender como trabalhar com computação gráfica! O resultado foi excelente e deu sinal verde pra produção de homem-aranha e Blade II.

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    2002: Homem-Aranha e Blade II

    Homem-Aranha é o super-herói mais popular da Marvel pela fácil identificação de seus leitores com o mesmo, então não havia dúvidas de que um filme dele deveria ficar perfeito, pois teria muito público especialmente por causa da expectativa criada com o sucesso de X-Men.

    Tobey Maguire, a escolha certeira de Raimi.

    Sendo assim, chamaram novamente um diretor que entendia do assunto (Sam Raimi, fã declarado do herói) e um Peter Parker que se encaixava perfeitamente com o ator convocado, Tobey Maguire. É interessante notar que já podia se observar que o super-herói já estava mais “dentro” do mundo real a partir daí. Por exemplo: a teia do Homem-Aranha nos quadrinhos é manufaturada pelo próprio, enquanto no longa, é parte de seus poderes. O filme também teve que ser modificado, pois haveria uma cena de grande importância em que apareceria os edifícios do World Trade Center. Por causa dos atentados referentes ao 11/9, a adaptação do aracnídeo sofreu uma forte modificação aí. O filme bateu recorde de arrecadação em um fim de semana de estréia na época.

    Blade II ganhou mais importância. Trocou de diretor (passou para Guillermo Del Toro, diretor super renomado para gêneros fantasia), teve investimento um pouco maior  e faturou ainda mais que o primeiro, que teve um orçamento considerado modesto. Um sucesso que gerou o 3º filme e fez, a partir daí, com que quase todos os filmes de super-heróis que fizessem sucesso tivessem 3 partes.

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    2003: Hulk, Demolidor e X-Men 2

    Bom, não dava para ser um mar de rosas o tempo todo. Aos poucos o sucesso foi subindo a cabeça dos estúdios e começaram a querer lançar filmes de super-heróis adoidados. X2 já havia estabelecido seu público e conseguiu oferecer uma história sólida com o mesmo diretor, sendo ótimo para o sucesso do filme, melhor até que o original. Já com Hulk e Demolidor, não foi bem assim.

    O gigante dramalhão!

    Ang Lee (O Tigre e o Dragão) foi chamado para dirigir o filme do gigante esmeralda, mas sua visão de história em quadrinhos não era adequada para fazer uma adaptação. Ficou muito diferente e alguns não gostaram da forma como a história foi contada, já que o público imaginava algo como foi Homem Aranha e não um filme mais cerebral e parado em vários momentos. Não houve segurança para se preparar uma seqüência de imediato com o mesmo cast de atores e diretor.

    Com Demolidor foi um pouco pior. O filme deu dinheiro mais pela expectativa do que por ele em si. O roteiro e o protagonista não convenciam muito. Não chegava a ser um filme ruim, mas dava pra ver que estava bem aquém dos outros lançamentos e o diretor não estava em sintonia com a história. Ainda assim, o filme gerou um spin-off anos depois.

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    2004: Homem Aranha 2, Mulher Gato, o Justiceiro, Blade Trinity e Hellboy

    Perceberam o aumento das produções de filmes? É o dinheiro falando alto. Homem-Aranha 2 foi produzido tal qual o primeiro filme e conseguiu fazer mais sucesso e dinheiro que ele. Afinal, todo o terreno estava pronto desde o primeiro filme e os ingredientes estavam todos lá. Era só prepará-los.

    Franquia ergueu a Marvel nos cinemas, mas terminou mal.

    Em Blade Trinity, o ótimo roteirista David S. Goyer foi chamado para dirigir. O Filme tinha tudo para dar certo pelo seu histórico, mas acabou não agradando. A franquia parou por aí nos cinemas.

    Hellboy trouxe à tona um herói das HQs da Dark Horse. Era pouco conhecido, mas nas mãos de Guillermo Del Toro, se mostrou um ótimo filme, apesar de não ter ido tão bem nas bilheterias por causa do pouco apelo do protagonista. Ainda assim, foi o melhor momento possível para lançar o personagem nos cinemas e foi um trabalho feito da melhor forma possível.

    Mulher Gato foi um erro em vários sentidos. A idéia era fazer um spinoff de uma personagem do Batman com uma história focada nela. Mas tudo aconteceu de forma tão ruim que este foi o primeiro que realmente deu prejuízo! Nem Halle Berry e Sharon Stone salvaram o filme. A primeira tentativa de retorno da DC com filmes de heróis havia sido um fracasso enorme. O filme foi o campeão de Framboesas de Ouro também.

    O Justiceiro recebeu sua primeira adaptação em 1989 (com Dolph Lundgren no papel principal), antes do hype. Provavelmente por ser mais fácil de adaptar e não parecer tanto com o “gênero” super-herói. Além do mais, tirando o protagonista, não havia um grupo de personagens que vivessem ao seu redor e nem mesmo vilões. Faz sentido já que se trata de um vigilante que suja as mãos sozinho. Ainda assim, seu retorno pós hype foi bem tímido (mesmo com John Travolta no elenco, e tendo Thomas Jane como o anti-herói). O filme foi bem barato e não chegou a dar prejuízo, mas com os melhores roteiristas e diretores ocupados com as franquias mais importantes, o filme não correspondeu tão bem.

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    Lundgren como Frank Castle

    Como podemos ver, nessa metade do século, a Marvel estava com tudo, mas em 2005 a DC estava prestes a voltar com tudo em Batman Begins. Ao mesmo tempo, deu pra notar a preocupação dos estúdios em fazer dinheiro e pouco se importar com a imagem dos personagens graças ao hype, o que acabou por diminuir a quantidade de filmes de heróis que sai anualmente agora. Também é notável como os super-heróis tinham que estar num contexto real, para que o apelo fantasioso fosse menor. Até porque ao se passar uma história do papel para as telas, nem tudo fica bom sendo exatamente igual. Além do que, os diretores que fizeram sucesso eram fãs das HQs e dos personagens e cresceram lendo as revistas. Então, puderam transformar em filme algo que já tinham em mente desde sua tenra idade. Por causa disso também se acabou com aquele mito de que a seqüência não poderia ser melhor que o primeiro filme. Afinal, os de origem não tinham uma narrativa muito própria, pois havia muito que se apresentar, o que não acontecia com as seqüências. Ainda assim, o sucesso era tamanho que a Pixar entrou na dança lançando Os incríveis (2004) e o gênero acabou até recebendo sua sátira (o péssimo Super-Herói, o Filme). A segunda metade da década será analisada no próximo post, ao contrário do que eu acreditava. Sorry, folks. Mas fica melhor assim para todo mundo. Até!

    Sobre o autor

    "I'm just a simple man, trying to make my way in the universe." - Jango Fett - Star Wars Ep II

    5 NERDROPPERS para “A Trajetória dos Super Heróis no Cinema – Parte 2”

    1. Marcelo Neves disse:

      salvo os defeitos do filme, eu adoro a versão do Punisher do Lund­gren, que pra mim so foi superada no ultimo filme war zone. acho que sou o unico a gostar dessa porra.

      enfim. otima materia.
      ps. bem que podia rolar algo do tipo dentro do podcast, talvez assim o programa de vcs não ficasse datados com o tempo. :P

    2. Oliver Perez disse:

      @Marcelo Neves "Somos" os unicos a gostar do Lundgren Castle e do Titus Castle de Punisher War Zone. Se é p/ por um defeito no War Zone eu diria que talvez os vilões e o clássico retalho ficaram muito caricatos.

    3. May disse:

      heee e/ isso esta me ajudando no trabalho que tenho que fazer ;D nem me perguntem por que a professora quer saber de super heróis –'

    4. Inomata disse:

      Demolidor ficou um pouco pior? Eu acho que só não é pior que Elektra e os filmes do Capitão América dos anos 80 (arg)!!!

      Mas a matéria está ótima! Mto bem escrita e montada!

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