Terence Young, o verdadeiro James Bond
Desde 1953, o agente secreto “mais conhecido do mundo”, 007, fazia sucesso nas livrarias, graças à imaginação de Ian Fleming. O 1º livro da série, Casino Royale, chamara a atenção da dupla de produtores Albert Broccoli e Harry Saltzman, despertando em ambos, a ambição de arrancar o personagem do papel para a película.
O ano de 1962 chegou, e Cubby Broccoli convocara novamente para um dos seus filmes, o diretor Terence Young, que agora carregava em seus ombros a homérica responsabilidade de tornar James Bond popular também nas salas de cinemas.
Young introduziu neste universo nomes como Sean Connery e Ursula Andress. Segundo a maioria da equipe envolvida na produção do 1º filme do agente, 007 Contra o Satânico Dr. No, Young foi o responsável pelo “estilo Bond”.
A elegância, a malícia, o bom gosto e a tradicional pompa britânica do diretor, ajudaram a ressaltar as características do personagem de Fleming, começando assim, o que podemos de chamar de O Legado de 007, cujo estilo permanece nos filmes mais atuais do agente, graças à assinatura de Terence Young em três produções da longa série que hoje oficialmente totalizam 22 filmes (23 filmes na verdade, mas um é considerado não oficial por questões de direitos, Nunca Mais Outra Vez, também com Sean Connery).
Vamos lembrar que clássicos que hoje rotulamos como de interesse nerd, ainda não circulavam livres por aí, e exibido no mesmo ano de 1962, 007 contra o Satânico Dr. No, foi sucesso absoluto, o que resultou na participação de Young em mais dois filmes da franquia, Moscou Contra 007 (1963) e 007 contra a Chantagem Atômica (1965), filme que marcou a saída do diretor da saga do agente 007. Young também se ausentou da franquia em 1964, devido a sua participação em outros projetos, o que não impediu a série de ganhar o fantástico 007 Contra Goldfinger, dirigido por Guy Hamilton.
Tudo o que ostenta a marca 007 provavelmente foi obra do pioneirismo de Young. Os gadgets, as Bondgirls, vilões megalomaníacos e os lugares exóticos, que até hoje, são os maiores atrativos da franquia, mesmo sem serem lá muita novidade depois de quase 50 anos. Os três hits do diretor definiram, naquela época, um padrão a ser seguido em filmes de ação até os dias de hoje.
Outra de suas características, pelas quais é lembrado pelo elenco e equipe de produção dos filmes de 007, é pelo seu modo de vida extravagante, sendo considerado por muitos como “bon vivant”, título carinhosamente alterado depois para “Bond Vivant” em um pequeno documentário em sua homenagem. Festas luxuosas, vinhos e champanhes de safras de valor exorbitante, e tudo isso regado pela exótica e dispendiosa culinária das diversas locações das filmagens, com certeza refletiram no personagem central, magistralmente encarnado por Sean Connery. Aliás, Connery nos rendeu ótimas peças da sétima arte graças à lapidação deste magnífico ator realizada pelas mãos de Terence Young.
As andanças de Young na era pré Bond, renderam à franquia a presença de Bernard Lee, que introduziu o personagem M na chefia do MI6 e dos saudosos Lois Maxwell, responsável pela senhorita Money Penny (presente na franquia até 1985 na era Roger Moore com 007 na Mira dos Assassinos) e Desmond Llewellin como o “gadget master” Q (Nos filmes Moscou Contra 007, de 1963, até O Mundo Não é o Bastante de 1999), que infelizmente nos deixaram respectivamente nos anos de 2007 e 1999.
Nos anos 80, o diretor volta à espionagem em um filme roteirizado pela sua própria esposa Dorothea Bennet, chamado The Jigsaw Man. Dirigiu pela última vez no filme Run For Life de 1987.
Para a tristeza de muitos fãs e colegas de trabalho (principalmente os que trabalharam nas produções de 007), em 1994, no começo de outra produção européia, um enfarte do miocárdio encerra a longa carreira e filmografia de Terence Young aos 79 anos.
Apesar dos mais de 40 anos distante da direção de qualquer filme de 007, sua personalidade estará para sempre, gravada na altivez, no charme, na malícia e na sofisticação do agente Bond… James Bond.






































Adorei a ideia da coluna, parabéns =) Confesso que sou ignorante quando se trata de cinema, não conheço diretor nenhum… Vou aproveitar pra adicionar um pouco de cultura no portfolio
Outro texto muito foda do Oliver.
Em termos de diretores, sempre gostei muito de alguns nomes, como James Cameron e Ridley Scott.
Gostei muito sobre a matéria sobre o “Terry”, e vou continuar acompanhando a coluna.
Parabéns, “Oli”!