Quando os games viram filmes

Autoria: Guilherme Costa

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Sema­nas atrás, eu fiz um artigo cri­ti­cando a estra­té­gia de algu­mas pro­du­to­ras, quando um filme está para ser lan­çado, de criar um jogo qual­quer para que seja divul­gado ao mesmo tempo. Se por acaso per­deu essa coluna, dê uma olhada agora.

Mas e quando acon­tece o con­trá­rio? E quando os figu­rões de Holywood olham para um deter­mi­nado game e pen­sam “hey, mesmo sem conhe­cer nada sobre este jogo, eu posso lucrar com um filme base­ado nele!”

E é aí que vemos algu­mas obras ele­trô­ni­cas terem uma muta­ção em fil­mes que, tal­vez muito de longe e no escuro, lem­brem aquele game que jogamos.

Os exem­plos são mui­tos. Hoje, já temos lan­ça­dos mais de 50 fil­mes base­a­dos em games, e outros 50 estão pro­gra­ma­dos ou em fase de pro­du­ção. Mas grande parte deles, ou melhor, quase todos são lem­bra­dos por serem pés­si­mas adap­ta­ções de rotei­ros (que ori­gi­nal­mente seriam até cine­ma­to­grá­fi­cos), perdendo-se os deta­lhes ori­gi­nais ou exa­ge­ra­rando em pon­tos des­ne­ces­sá­rios. Somente quero citar alguns exem­plos, e come­ça­rei com a série Resi­dent Evil.

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George Romero e Jill Valen­tine, em Resi­dent Evil 1

Resi­dent Evil seria rotei­ri­zado e diri­gido por nin­guém menos que George Romero, sim­ples­mente um dos melho­res dire­to­res de fil­mes com zum­bis de todos os tem­pos (e que por sinal diri­giu um comer­cial de Resi­dent Evil 2 de grande reper­cus­são no Japão). Após fina­li­zado o script, a Sony e a Cap­com demi­ti­ram Romero, ale­gando que o filme iria se pare­cer muito com o game.

É, isso o que você leu tá certo. A Sony Pic­tu­res que­ria trans­for­mar o filme em uma ver­são mais “com­bate”, reti­rando todo o lado de sus­pense do jogo, per­dendo “só” a sua carac­te­rís­tica prin­ci­pal. Só pra você ter uma idéia, Chris Red­fi­eld, Jill Valen­tine, Albert Wes­ker e Barry Bur­ton esta­vam pre­sen­tes no roteiro, que iria se basear muito no game ori­gi­nal para o seu scre­en­play. Romero jogou o jogo na Cap­com, gra­vou o game­play, estu­dou as câme­ras do jogo e baseou todo o seu roteiro nisso. Ia ser um filme perfeito.

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Alice, a des­car­nada pro­ta­go­nista nos fil­mes de RE

Mas não foi o que vimos nas telo­nas. Se reti­rar­mos a quase ausên­cia de refe­rên­cias aos games, o filme é sim­ples­mente um filme de zum­bis, enquanto que Resi­dent Evil (o jogo) seria um roteiro per­feito de sus­pense para se levar à tela, supe­rior a vários fil­mes do gênero que estão sendo lan­ça­dos atualmente.

Mas, ao invés disso, tive­mos uma pro­ta­go­nista des­co­nhe­cida, num local sem refe­rên­cias dire­tas à man­são do pri­meiro game, e o máximo que pude­mos iden­ti­fi­car foi o nome da Umbrella Cor­po­ra­tion. E dê-se por satis­feito. E não, eu me recuso a comen­tar qual­quer coisa que foi feita após esse filme, prin­ci­pal­mente a parte em que a Alice (Milla Jovo­vich) é trans­for­mada numa “super soldado”.

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Lara Croft e Ange­lina Jolie

Mas não para por aí. Tive­mos tam­bém Lara Croft: Tomb Rai­der, que por si só já garan­tia um roteiro estilo “Indi­ana Jones de saia”, caso seguisse o jogo no qual foi base­ado. A esca­la­ção da atriz Ange­lina Jolie não foi das pio­res, porém a atriz abu­sou da canas­trice a ponto de rece­ber uma indi­ca­ção ao prê­mio Fram­bo­esa de Ouro, o Oscar Bizarro de Holywood. Não se pare­cia com a atlé­tica pro­ta­go­nista do game, e ao invés disso ficava fazendo char­mi­nho e não mos­trava muito o lado arque­o­ló­gico do jogo.

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Street Figh­ter — o Filme

Street Figh­ter merece o título de um dos pio­res fil­mes já fei­tos pelo con­junto da obra: os per­so­na­gens mais caris­má­ti­cos da série, Ryu e Ken, rele­ga­dos a papéis secun­dá­rios; um Bison magro e sem assus­tar nin­guém; um Guile sem o cabe­lão loiro que mar­cava o per­so­na­gem; Cammy toda sim­pá­tica; Chun-li repór­ter (e ela sem­pre foi poli­cial); um Blanka magrelo feito na maqui­a­gem quando a com­pu­ta­ção grá­fica já rodava a ple­nos pul­mões; um Dhal­sim médico e com cabelo. Tudo isso reche­ando um enredo pífio com uma das repre­sen­ta­ções de pode­res mais absur­das que já vimos. Não existe UM HADOUKEN QUE SEJA NO FILME INTEIRO. No máximo, um soco que o Ryu dá e uma luz pisca. E eu ainda podia con­ti­nuar por horas falando mal desse filme, mas não seria justo. Temos outras tos­quei­ras a lembrar.

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Alone in the Dark: do mes­tre Uwe Boll

Temos tam­bém Alone in the Dark, filme base­ado no jogo Alone in the Dark: The New Night­mare, que mar­cou o renas­ci­mento da série nos con­so­les mais atu­ais, depois de um vazio de 7 anos entre os jogos. O filme apre­senta falhas no con­ti­nuísmo do roteiro que che­gam a ser gri­tan­tes, porém merece algum cré­dito por ter refe­rên­cias cla­ras ao jogo no qual foi base­ado (como por exem­plo o pro­ta­go­nista ser o mesmo dos games, ou o fato de o roteiro ser real­mente base­ado em um dos jogos. Apren­de­ram, pro­du­to­res de Resi­dent Evil?)

E a lista vai longe. Silent Hill, Blo­o­drayne (mise­ri­có­rida!), Hit­man, Pos­tal, Far Cry, Max Payne e Mor­tal Kom­bat, todos já foram des­gra­ça­dos nas telo­nas gra­ças a rotei­ros incom­pe­ten­tes e adap­ta­ções mal fei­tas. Aliás, essa lista é tão extensa que o site Screwattack.com fez um Top 10 sobre “Pio­res fil­mes base­a­dos em Games” e Resi­dent Evil con­se­guiu ficar de fora!

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Jake Gyle­nhall como Das­tan no filme de Prince of Persia

Mas não é só isso, a pro­gra­ma­ção dos estú­dios con­tém novas víti­mas, com estreia mar­cada para breve, num cinema perto de você! Estão na lista: Army of Two, Prince of Per­sia, Metal Gear Solid (esse deu um aperto no cora­ção!), um novo Mor­tal Kom­bat (pra quê??), Gears of War e King of Fighters.

Sin­ce­ra­mente, não custa aos pro­du­to­res, rotei­ris­tas e dire­to­res JOGAREM O JOGO AO MENOS UMA VEZ! E tam­bém não custa às pro­du­to­ras apre­sen­ta­rem o que foi pro­posto ori­gi­nal­mente naque­les games, ao invés de somente lar­gar a sua fran­quia nas mãos de outras pes­soas que terão a liber­dade de jogar o nome na lama.

As emo­ções pro­pos­tas estão pre­sen­tes nos jogos e assim que eles puse­rem as mãos para jogar vão saber o que fazer para trans­for­mar em fil­mes que os fãs irão gos­tar. Sigam o roteiro, não inven­tem, não acres­cen­tem, não mudem nada sem saber qual a opi­nião dos fãs. E só desse jeito vocês irão agra­dar o público, e fazer um filme digno da repre­sen­ta­ção des­sas obras.

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11 reações to “Quando os games viram filmes”

  1. Kosmidis disse:

    Cara é sim­ples­mente a lei do dinheiro. Vamos ganhar em cima disso mesmo, foda-se roteiro o liga­ção com o jogo, sem­pre vão ter milha­res de fãs que vão ao cinema, mesmo sabendo que o filme vai ser uma merda.

    Tudo bem que eu assumo a der­rota de ado­rar Street Figh­ter, não faço ideia pq.

    Resi­dent Evil não existe no cinema pra mim.

    KOF pro­mete ser uma bomba pior que DB Evolution.

    Prince Of Per­sia tá pro­me­tendo alguma coisa pare­cida, mais sem hype mesmo.

    Sei lá, ainda tá pra nas­cer um filme real­mente pare­cido com algum jogo.

    Belo post cara.

  2. J. Oliveira disse:

    Você viu o mesmo “Silent Hill” que eu? Oo

    Pode não ser tão foda quanto o jogo, mas é um filme bee­e­e­eem melhor que Blo­o­drayne, Hit­man, Pos­tal, Far Cry, Max Payne e Mor­tal Kombat.

    • Guilherme Costa disse:

      @J.Oliveira

      A maior crí­tica quanto à Silent Hill seria que a his­tó­ria do filme ficou um pouco con­fusa, enquanto que algu­mas cenas eram total­mente des­ne­ces­sá­rias, podendo ter sido uti­li­zado este tempo para apro­fun­dar a história.

      Mas tal­vez mereça um des­ta­que posi­tivo por lem­brar bas­tante o game no qual foi base­ado. ;)

  3. tahiana disse:

    Con­cordo ple­na­mente co tudo..
    e acho q Prince of Per­sia vai ser o melhor!!!! não só pelo puta ator mais pela seri­e­dade q os games estão sendo leva­dos ultimamente

  4. todo mundo diz que silent hill é muito bom.…

  5. Eduardo Dias disse:

    Eu como muito fan de Resi­dent Evil fiquei muito feliz em saber que iria virar filme ate ver o lixo que ficou.
    E,alias, foi lan­çado faz pouco tempo o Metal Gear Solid Phi­lan­tropy um fan filme de Metal Gear.Eu assisti e achei muito bom.

  6. Ivanildo Junior disse:

    Muito boa maté­ria, para­béns. Me fez lem­brar pq eu olhava pro nome “Street Figh­ter: A Lenda de Chun-Li” com tanto asco.

    Porém, dis­cordo 100% a res­peito de Silent Hill, o qual acho que foi o único que esca­pou à lei.

  7. Jackson disse:

    Silent Hill é um bom filme… não joguei, mas quem conhece o game geral­mente fala bem do filme. O 1o MK tam­bém teve seu valor, na época.

  8. Jordan disse:

    O pior é ver que esses fil­mes medío­cres dão dinheiro.
    Não tenho muito o que comen­tar, o post resume pra­ti­ca­mente toda a fúria que um fã sente vendo esses fil­mes.
    E é triste ver que até as pró­prias empre­sas des­ses jogos per­mi­tem esse tipo de coisa, mesmo sabendo o lixo que o filme tá se tornando.

  9. Efraim disse:

    Ah Gui­lherme, quem dera se os ditos pro­du­to­res, rotei­ris­tas e estú­dios se des­sem o tra­ba­lho que vc bem escre­veu aqui. Será que eles têm pre­guiça em fazer o tra­ba­lho de casa? Só pode!

    Nessa lis­ti­nha ai, acho q o pri­meiro Mor­tal Kom­bat e Silent Hill meio que salvam!

  10. Earinë disse:

    @Ivanildo Junior
    n sei se vc já viu “A Lenda de Chun-Li”, mas se n viu, n veja!
    é o pior filme q eu já vi na minha vida! fique com o pri­meiro que é digno de oscar perto do segundo! hehe

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