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    A jornada do som pelas mídias — 2ª parte

    Postado por Oliver Perez em agosto - 4 - 2009

    ilustracao_evolucao_musica

    Na última semana vimos o início da evolução das formas de armazenamento de som, que permitiram um maior acesso das pessoas à música, forma preferida das pessoas como entretenimento.

    Fique agora com a parte conclusiva deste ótimo artigo de Oliver Perez.

    O início da produção em massa.

    Como toda nova tecnologia que entra para o mercado, é evidente que mesmo sendo disponibilizada para o acesso do público, sempre se tem a necessidade de corrigir eventuais erros ou executar melhorias para seu melhor desempenho.

    Nas primeiras gravações que se tem registro, o processo carecia de agilidade. Exemplificando, um cantor teria que cantar dez vezes o repertório de um álbum para gravar dez discos. Situação que faria Michael Jackson agradecer eternamente por ter nascido no século certo com seus mais de 700 milhões de álbuns vendidos.

    Mas o disco em 1892, graças novamente a Berliner, teve seu material substituído por um composto de goma-laca, processo conhecido como galvanoplastia, o que lhe garantira uma cor negra, sendo menos espesso, com menos peso, e um dos maiores pontos negativos: pouca flexibilidade. Ou seja, caiu, quebrou!

    Berliner também atualizou o processo de gravação ao usar um disco original, para a gravação dos demais, agilizando a produção através do sistema de prensagem com o uso de uma matriz, o que provavelmente deu um bom descanso para os músicos!

    Uma das curiosidades é que Berliner criou a Gramophone Company, ainda existente no mercado com o nome EMI (Electric & Music Industries).

    gramofone

    Gramofone

    Até a chegada de 1910, o disco de goma laca teve seu outro lado usado tornando-se agora dupla face e chegou a ter um diâmetro de 50 a 60 cm, o que lhe renderia até 15 minutos de duração sendo executado em 78 rotações, nos gramofones da época.

    Em 1919 a tecnologia daria outro salto. O laboratório Bell oferecia um substituto para uso dos gramofones e introduziria no mercado o sistema “Pick Up”, que ainda resiste até os dias de hoje.

    Uma agulha fonocaptora acoplada em um suporte percorreria através dos sulcos do disco fazendo com que as vibrações captadas fossem convertidas em variações no campo magnético de uma bobina condutora que consequentemente produzia pequenas correntes elétricas que ao serem amplificadas reproduziam em alto e bom som o conteúdo original.
    Tal processo levou os gramofones a sua extinção no início da década de 20, mas um novo formato de mídia sonora entraria em cena para abocanhar outra fatia do mercado.

    A Fita Magnética

    Os alemães, por sua vez, realizaram melhoras no princípio descoberto pelo já citado Valdemar Poulsen.

    magnetofone

    Magnetofone

    Em 1934 a empresa alemã BASF traz ao mercado a fita magnética. Uma pequena (para a época) estrutura plástica comportava em seu interior um jogo de carretéis que, ao invés do material pesado do invento de Poulsen (Arame), possuía um rolo de uma leve fita plástica cuja superfície era revestida com pó de óxido de ferro, nascendo assim, uma mídia leve, compacta e a que ainda renderia maior fidelidade sonora.

    A fita até então era reproduzida em uma maquina AEG, criação da Telefunken, onde um cabeçote gerava ou reproduzia as impressões magnéticas da fita.

    A evolução

    O ano é de 1933, e a empresa fonográfica EMI desenvolve o áudio estereofônico, mas o processo ainda era gravado nos discos de goma-laca de 78 rotações. Isto é, ainda era necessário o extremo cuidado para a prevenção de avarias… tsc evenção de avarias… tsc evenção de avarias… tsc evenção de avarias…

    Fim da segunda guerra, a britânica EMI, ao lado da americana Ampex, tomam posse dos avançados equipamentos fonográficos apreendidos da indústria alemã.

    lpCoincidência ou não, o formato evolui em sua versão final, o LP de vinil. O Vinil entra no processo de fabricação substituindo a frágil goma-laca. Além de sua evidente durabilidade e flexibilidade, que prevenia o eventual rompimento do disco, o vinil permitiu a inserção de sulcos menores que auxiliado por uma rotação de 33 e 1/3 RPM, permitiu mais tempo em cada lado, (Cerca de mais de 23 minutos) o que lhe rendeu a denominação de Long Playing, ou como simplesmente é mais conhecido, sua abreviação, LP.

    Em 1958 o LP muda mais uma vez o cenário musical com os estereofônicos de 33 1/3 e 45 RPM, graças às empresas Audio Fidelity (EUA), Decca e Pyle (Inglaterra).

    A era da portabilidade.

    Na década de 60, outro formato de mídia sonora é inserido no mercado, a fita cassete. Os recursos, antes somente propriedades de gravadoras e empresas do gênero, passam aos poucos para o poder do público comum.

    fita_casseteA fita cassete consiste em uma pequena estrutura plástica com dois carretéis onde a fita magnética passa de um para o outro através de um cabeçote de leitura e gravação.

    A novidade veio primeiro pela empresa holandesa Philips e garantiu ao consumidor deste segmento a possibilidade de gravar e personalizar sua própria lista de reprodução, som ambiente e programas de rádio.

    Apesar de não entrar no mercado para disputar espaço com o LP, a fita cassete apresentava uma série de vantagens, uma delas, foi à possibilidade de carregar o som para onde quer que fosse dado ao tamanho dos aparelhos reprodutores, que apesar de serem já de uma proporção bem menor do que os toca discos, tiveram sua compactibilidade maximizada graças ao Walkman, criação da japonesa Sony.

    walkman

    Walkman

    Isso reduziu ao máximo o tamanho do reprodutor de fitas cassete, auxiliados por fones de ouvidos estéreo. Os portáteis Walkman, assim como os demais tape players, com o passar do tempo ganharam a função Auto-Reverse. Este recurso permitiria a execução de ambos os lados do cassete sem que se tenha a necessidade de retirá-lo do deck.
    Em seu tempo de vida, o cassete foi o ápice da, digamos assim, pirataria musical, já que o item permitia as pessoas à aquisição de fitas virgens para a gravação do álbuns em vinil.

    A versão em cassetes dos álbuns musicais até então representava uma pequena parcela se comparado aos LP’s. Estes dois formatos foram dominantes na década de 80, mas tudo isso estava prestes a mudar!

    A era digital

    Como sempre, a evolução constante da tecnologia não poderia deixar a humanidade em paz e os formatos analógicos começariam, a não ser pelo público mais conservador e saudosista, a serem deixados de lado.

    Avançando nos anos 90, a gravação analógica passa para um processo onde toda a informação é convertida por uma seqüência binária compreensiva a computadores, facilitando assim sua manipulação não só pela indústria, mas como também pelo consumidor final, fato que marca a chegada da era da gravação digital. O que o LP de vinil representou nas décadas de 50 a 80, O CD foi para os anos 90!

    O CD, abreviação de Compact Disc, começou a ser ainda idealizado em 1979 começando a ser comercializado em 1982, graças a Philips e a Sony, mas sua supremacia se deu mesmo depois do início dos anos 90.

    compact_disc

    Compact Disc

    O formato trazia vantagens insuperáveis comparados aos analógicos, uma delas era a virtual eterna durabilidade do CD. A leitura do CD se dava através de um emissor de laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation) projetado sobre um filme prateado com os dados digitais gravados, tudo isso contido em um disco de material plástico (policarbonato) com 12 cm de diâmetro e 1,2mm de espessura.

    O laser refletido carrega e traduz as informações gravadas na mídia. O único fator negativo com a chegada do pequeno disco, foi a conseqüente redução da arte do álbum, item que sempre deixa a marca do artista.

    Por outro lado, o processo de leitura gerou alta fidelidade no som, já que a ausência de atrito entre o leitor e a mídia era inexistente, ao contrário do LP, cuja agulha captora dependia do constante contato entra a mesma e os sulcos do disco, que alem de provocar o desgaste da mídia, ainda era passível de contaminação por poeira e outros micro dejetos pertencentes ao ambiente provocando aqueles indesejáveis pulos que… uito desagradável sem mencionar o até saudoso som de ovos fritando ao fundo! Problemas no qual, o CD era isento se devidamente cuidado.

    Outra de suas grandes vantagens era a fácil navegação pelo disco. Quem não se lembra daquela desconfortável maneira de se selecionar uma faixa em especifico do LP com os olhos concentrados na mira dos espaços em branco entre as faixas e a tremulante introdução da agulha no disco. Pois o CD mudou toda esta concepção ao possibilitar o acesso direto as faixas, o fácil avanço ou retrocesso, programação acrescentando ainda o seu fácil manuseio.
    Eventualmente mais tarde a tecnologia digital trouxe uma série de formatos que a principio trariam muitas opções e vantagens, mas muitas delas não obtiveram comercialmente sucesso suficiente no mercado para sua permanência. Entre elas estão:

    A fita DCC

    fita_dccEste formato nascido na Holanda pela Philips, sigla de Digital Compact Cassete, ao contrário de suas primas pobres e analógicas (Fita Cassete).

    Apesar das similaridades físicas, era gravada digitalmente, mas não foi preferência do consumidor, saindo de circulação em meados dos anos 90.

    A Fita DAT

    A Digital Audio Tape, ou como é mais conhecida, DAT, dispunha de uma evidente superior qualidade que o CD, mas devido ao alto custo e a falta de cassetes pré-gravadas, se tornou um hype somente no meio profissional.

    O Mini Disc

    Após o péssimo desempenho comercial do formato DAT, a Sony adiciona mais uma novidade no mercado, o Mini Disc, também conhecido como MD.
    Opção mais acessível para que preza pela portabilidade e o acesso direto as faixas assim como o CD, sem mencionar seu tamanho reduzido e capacidade regravável de mais de um milhão de vezes sem perda da qualidade digital.
    Mas indícios sugerem que sua curta existência se deu porque os CD’s regraváveis surgiram em cena com procedimentos mais simples, além de sua fácil comercialização por qualquer canto do mundo.

    O CD em movimento

    discmanNo início da comercialização do CD, o formato que ainda era amplamente divulgado foram às fitas cassetes. O porquê?
    Os CD’s por um breve período de tempo não contavam com um modo compacto de reprodução, ao contrário das fitas cassetes e os populares Walkman, que garantiriam aos usuários a trilha sonora de suas vidas cotidianas sem a presença de limitações pela mobilidade.
    Pois a própria Sony passou por cima de sua criação com a chegada do Discman, um CD player de tamanho reduzido e que com o tempo se proliferou auxiliado pelas mídias graváveis tornando possível à personalização ou coletânea de músicas e artistas da preferência do ouvinte.
    Mas com o passar do tempo e do uso, o discman perdia sua precisão óptica, fazendo com que a reprodução do CD seja falha e cheia de pulos, surgindo assim, o sistema anti-shock, capaz de acumular em uma memória interna alguns segundos de informação sonora capaz de repor dados perdidos durante pancadas e atritos, sistema que a propósito, foi um dos pontes fortes para o som automobilístico.
    Mas ao se tratar de reprodutores portáteis e mídias de música,vamos ao nosso próximo ponto. O MP3.

    MP3

    Muitas vezes o tamanho físico avantajado da mídia incomodava a certos ouvintes, principalmente a aqueles que faziam uso da “tecnologia de reprodução móvel”, certo? Que tal o uso de um formato onde a forma física não existe? Algum tempo atrás, com certeza, era de se acreditar que tudo se tratava de um absurdo.

    mp3player

    MP3 Player

    Mas a tecnologia mais uma vez anda a saltos e não a passos, o que gerou hoje a mídia digital comprimida de áudio conhecida como MP3 e consequentemente seus acessórios para reprodução. Arquivos digitais de compressão de audio já existem em uma ampla gama de variedade, como AAC, OGG, WMA e outros, mas vamos nos concentrar no mais popular, o formato MP3.

    Sua nomenclatura vem da abreviação de MPEG 1 Layer 3. Nome dado a um padrão de arquivos digitais de áudio estabelecido pelo órgão Moving Pictures Experts Group (daí o MPEG) formado por peritos em tecnologias da informação que são vinculados a grupos responsáveis por ditar padrões e normas como por exemplo o grupo ISO e a CEI.

    Para arquivos como este foram criadas 3 camadas referentes ao esquema de compressão, no caso em questão, camada 3 (Layer 3). Enquanto a primeira camada se destina a ambientes de áudio profissional a terceira visa o usuário final do arquivo.

    Para aqueles que acreditam que a história do MP3 tem sua história originada há pouco, enganam-se. Pois o mesmo teve seu conceito criado há quase 4 décadas atrás.

    No ano de 1970 o professor da universidade de Erlangen-Nuremberg na Alemanha (ah eles novamente!), Dieter Seitzer, queria transpor o grande problema em transmissões de voz com boa qualidade através das linhas telefônicas, iniciando então um grupo de pesquisa destinado a codificação de áudio.

    Mas a criação e implantação de um moderno sistema de telecomunicações auxiliado ainda por condução de sinal via cabos de fibra óptica fizeram os estudos de Seitzer praticamente perderem seu propósito, fazendo com que agora a mesma pesquisa se voltasse a codificação de sinais de música.

    Estes estudos passaram por várias etapas até chegar no resultado final em 1995, o mundialmente conhecido formato batizado de MP3. O MP3, como todos os outros tipos de mídia e formatos, tinha limitações no que se refere a equipamentos destinados a sua reprodução, no caso do MP3, tendo sua execução limitado a um computador.

    Mas como a tecnologia contemporânea não tolera mais delongas, em 1998 a empresa coreana Saehan criou o primeiro aparelho reprodutor de MP3 chamado de MPman, a exemplo de seus antecessores Walkman e Discman (O que pessoalmente sempre acreditei ser mais corretamente chamados como Walkdisc ou Mpwalk, mas realmente não soam tão bem quantos as expressões acima citadas).

    Consequentemente outros fabricantes entraram para competir no mesmo segmento como por exemplos a iRiver, Cowon, LG e a Samsung, sendo esta a responsável pelo lançamento do primeiro celular capaz de armazenar e reproduzir arquivos MP3 em 1999.

    A utilização das portas USB para periféricos se tornaram uma ferramenta importante para a ponte entre computadores e MP3 Players, tornando seu manuseio extremamente ágil.

    O quesito mais favorecido até aqui, foi a velocidade ao armazenar dados. Já que não mais dependia da duração da música ou do demorado processo de gravação de CD´s. As portas USB não se limitam mais a artigos de informática, já que a mesma avançou para as demais áreas domésticas.

    A princípio, os discman’s vieram com mais uma novidade: a capacidade de realizarem a leitura de CD’s com arquivos Mp3 armazenados. A aplicação do CD no uso da informática tornou-o mais versátil com a possibilidade de carregar em média até 140 vezes mais músicas do que o CD de música convencional.

    O MP3 foi o formato mais disseminado desde o início da mídia musical. Ele saltou do mundo da informática para o CD, DVD, MP3 players e de volta para a informática em uma revolução com o advento da Internet. A indústria musical foi obrigada a mudar seus conceitos com a sua chegada, e apesar das numerosas vantagens para o consumidor final, as grandes gravadoras sentiram as agruras de não serem as maiores favorecidas, já que o conteúdo em questão estava (e ainda está) ilicitamente disponível em diversos pontos da rede.

    Em diversas partes do mundo, tal formato mudou a maneira de como comercializar música e hoje, com a expansão da tecnologia de banda larga na internet, pessoas compram e recebem o produto sem a necessidade de sequer abrir a porta. A empresa Apple, provavelmente é um dos maiores exemplos da nova cara do cenário da música.

    ipod_touchA Apple, ao lado do grande manager e seu fundador Steve Jobs, revolucionou a tecnologia dos MP3 players, com suas várias linhas de eletrônicos que satisfazem os consumidores deste segmento aliada a uma interface capaz de ajudar via software e comercial com suas criações.
    Seus reprodutores de áudio como os iPod’s e o seu telefone móvel, o iPhone, que já se encontram em suas 7ª e 3ª geração respectivamente, são auxiliados pelo software iTunes tanto na compra de conteúdo musical como na inserção dos mesmos em seus aparelhos.

    Ambos são os grandes atrativos do mercado com suas grandes capacidades de armazenamento (no caso do iPod Classic através do uso de discos rígidos de até 160 GB) além de ressaltar as características dos próprios arquivos MP3, onde são organizados automaticamente sem mencionar a possibilidade da inserção de letras e capas de álbuns, qualidades que fizeram se destacar entre players de memória flash convencionais mesmo com os preços elevados, marca registrada dos produtos Apple.

    O fim, mas não o final.

    As constantes evoluções das mídias favoreceram a música e as pessoas que a apreciam. Hoje, as chatices da vida por muitas vezes até passam despercebidas entre uma série de atividades que acabaram por se tornar parte presente em nossas rotinas.

    O som, com seus 340 m/s, ironicamente não foi tão veloz comparado ao processo que fez de seu uso algo corriqueiro e quem sabe daqui a outra centena de anos não estaremos lendo alguma coluna (até lá quem sabe transmitida direto para o seu córtex cerebral) sobre como eram pesados e grandes os velhos iPod’s com seus míseros 160 GB ou o absurdo perdido em HD’s ocupados pelo espaçoso arquivo MP3.

    Mas enfim, graças a todo este processo evolutivo, a música , provavelmente a maior criação do homem, pode nos acompanhar aonde quer que fôssemos, na alegria,na tristeza, nas conquistas e nas celebrações, mas para sempre fazendo parte de nossas vidas.

    Sobre o autor

    “Em uma galáxia muito, muito distante, audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve, a uma velocidade onde nem os seus próprios cabelos o acompanham!”
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    1 NERDROPPER para “A jornada do som pelas mídias — 2ª parte”

    1. Kell xD disse:

      Megaboga. ^^
      Adorei.

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    Esperamos que vocês gostem (=