Metallica e o mistério de Tunguska

Autoria: Leandro Arkanun

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Zum­bis, domi­na­ção sovié­tica, guerra bio­ló­gica, robôs e um futuro pós apo­ca­líp­tico… Assun­tos que, facil­mente, cha­ma­riam a aten­ção de qual­quer nerd por aí.

Jun­tando uma ótima música (eu até arris­ca­ria dizer que é a minha pre­fe­rida) com todos os ele­men­tos acima, o Metal­lica con­se­guiu criar um vide­o­clipe exce­lente, digno de aplau­sos: All Night­mare Long.

No entanto, o que várias pes­soas não sabem, é que por trás de toda a fic­ção ali mos­trada, muita coisa acon­te­ceu de ver­dade.
Roboshobo (Robert Scho­ber), o dire­tor, nos apre­senta um clipe gra­vado em forma de docu­men­tá­rio, con­tando a his­tó­ria de um inci­dente ocor­rido em uma região conhe­cida como Tun­guska, na Rús­sia, onde os cien­tis­tas sovié­ti­cos con­se­gui­ram encon­trar um esporo de ori­gem ali­e­ní­gena que era capaz de tra­zer os (teci­dos) mor­tos de volta à vida.

E aí vocês já podem ima­gi­nar, né? Após rea­li­za­rem vários tes­tes, os sovié­ti­cos come­ça­ram um ata­que bio­ló­gico con­tra os Esta­dos Uni­dos, ofe­re­cendo ajuda alguns anos depois e con­so­li­dando um impé­rio ver­me­lho, domi­nado pela União Soviética.

Porém, mesmo com toda a ques­tão fic­tí­cia dos zum­bis, do esporo e da domi­na­ção sovié­tica, o inci­dente em Tun­guska real­mente aconteceu.

Tudo come­çou no dia 30 de junho de 1908, logo de manhã, quando uma explo­são ocor­reu no céu da Sibé­ria e os mora­do­res da remota região do lago Tun­guska pude­ram obser­var uma espé­cie de bola de fogo no céu que, alguns minu­tos depois, resul­tou no maior impacto já regis­trado na his­tó­ria do pla­neta, e, por incrí­vel que pareça, per­ma­nece sem expli­ca­ções até hoje.

Com uma ener­gia esti­mada em 15 mega­tons de TNT (mil vezes mais do que a bomba atô­mica de Hiroshima), estima-se que a explo­são tenha devas­tado uma área de mais de 2000 quilô­me­tros qua­dra­dos e cau­sado um ter­re­moto que atin­giu cinco graus na Escala Richter.

Obvi­a­mente, a onda de cho­que der­ru­bou várias pes­soas e que­brou mui­tas jane­las em um raio de cen­te­nas de quilô­me­tros, e não se limi­tando ape­nas à Rus­sia, foi pos­sí­vel obser­var uma dimi­nui­ção na trans­pa­rên­cia da atmos­fera do mundo inteiro, fenô­meno que ocor­reu por vários meses, cau­sada pelo pó sus­penso no ar.

Mas calma, o mais curi­oso da his­tó­ria ainda não foi revelado.

Somente 19 anos depois, em 1927, a pri­meira expe­di­ção foi envi­ada ao local para ave­ri­guar o caso. Os cien­tis­tas, atra­vés de algu­mas aná­li­ses de solo e subs­tân­cias, con­se­gui­ram dedu­zir (pelo menos é o que se tor­nou público) que o impacto foi cau­sado por um mete­oro, no entanto, havia um “pequeno” deta­lhe: não havia nenhuma cratera.

Com isso, a ver­são mais aceita em toda a comu­ni­dade cien­tí­fica até hoje é a seguinte: houve mesmo a entrada de um objeto gigante (o tal “mete­oro”) vindo do espaço, mas ele não atin­giu o solo e explo­diu no céu, dis­tante do chão em uma altura esti­mada entre seis e dez quilômetros.

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O mais engra­çado, porém, são todas as ver­sões que exis­tem a res­peito do evento. Além do mete­oro, fala-se que pode­ria ter sido algum frag­mento de anti­ma­té­ria nos atin­gindo, um minús­culo buraco negro que resol­veu dar uma pas­sa­di­nha aqui na Terra, ou uma nave espa­cial que se desintegrou.

Inclu­sive, falando sobre a nave, existe um livro escrito por John Bax­ter e Tho­mas Atkins em 1976, cujo assunto é o mis­té­rio de Tun­guska. Nos escri­tos, os auto­res afir­mam que a pri­meira expe­di­ção envi­ada ao local encon­trou césio 137 radi­o­a­tivo em quan­ti­da­des muito acima do nor­mal, peque­nas quan­ti­da­des de cobalto, níquel, e tra­ços de cobre e ger­mâ­nio, o que, ainda segundo os auto­res, pode­ria ser a prova da explo­são de uma nave arti­fi­cial. E, indo mais longe ainda, Ale­xan­der P. Kazant­sev, um enge­nheiro e escri­tor de fic­ção cien­tí­fica, lan­çou uma teo­ria que junta adep­tos até hoje: exis­tia, sim, uma nave ali­e­ní­gena com pro­pul­são nuclear por ali, mas ela não explo­diu, ela decolou.

nikola_teslaNo entanto, meus caros, a hipó­tese mais absurda, porém não menos impor­tante e des­car­tá­vel, foi um teste rea­li­zado por Nikola Tesla. No dia 30 de junho de 1908 (sim, o mesmo dia do evento em Tun­guska), Tesla estava na torre de seu labo­ra­tó­rio em Long Island rea­li­zando uma expe­ri­ên­cia que ganhou o nome de Raio da Morte.

O expe­ri­mento con­sis­tia em apon­tar um raio para o Ártico, em um ponto obvi­a­mente cal­cu­lado e deter­mi­nado, era uma espé­cie de ace­le­ra­dor de par­tí­cu­las e, segundo Tesla, era uma melho­ria de seu transformador-amplificador, que con­cen­trava ener­gia em um fino raio tão con­cen­trado que ele não se dis­per­sa­ria, mesmo a gran­des distâncias.

Dizem que, quando aci­o­nado, o Raio da Morte apre­sen­tou uma pequena e tímida luz em sua extre­mi­dade, mas que desin­te­grou uma coruja que estava voando perto da torre do laboratório.

Como não per­ce­beu nenhum evento fora do comum, o cien­tista já estava con­si­de­rando seu expe­ri­mento como um fra­casso. E foi aqui, coin­ci­den­te­mente ou não, que Tesla rece­beu a notí­cia sobre o evento de Tun­guska e resol­veu, de uma vez por todas, des­mon­tar o raio ime­di­a­ta­mente, pois acre­di­tava que ele era peri­goso demais para con­ti­nuar exis­tindo.
Tudo bem, pode não ter nada a ver, mas que é uma coin­ci­dên­cia estra­nha, isso é.

hounds_of_tindalosFinal­mente, vol­tando um pouco para o lado (nem tão) fic­ci­o­nal da coisa, o Metal­lica tam­bém bus­cou ins­pi­ra­ção em outros luga­res. Um deles foi a peça Cães de Tin­da­los, de Frank Belk­nap Long, que fala sobre coi­sas assus­ta­do­ras, geral­mente retra­ta­das como lobos, mas pos­si­vel­mente ima­gi­na­das mais como um mor­cego ou um vulto que emerge de uma nuvem de fumaça e te segue atra­vés do tempo e enquanto você dorme.

Outra fonte de ins­pi­ra­ção (bem bizarra, eu diria), é a his­tó­ria do Dr. S.S. Bryukho­nenko, do Ins­ti­tuto de Fisi­o­lo­gia e Tera­pia Expe­ri­men­tal, sedi­ado adi­vi­nhem onde… Na antiga União Sovié­tica, claro! Acre­dito que mui­tos de vocês já tenham visto algum vídeo rela­ci­o­nado ao médico, mas, para os que não con­se­guem ligar o nome à pes­soa, Bryukho­nenko foi um cirur­gião bem res­pei­tado que tra­ba­lhou na área de rea­ni­ma­ção e que “real­mente” con­du­ziu expe­ri­men­tos com cabe­ças de cachorro dece­pa­das. “Real­mente”, por­que nin­guém sabe dizer se o vídeo era mesmo real ou se aquilo era ape­nas uma dra­ma­ti­za­ção demons­trando uma teo­ria ainda não praticada.

E já que esta­mos falando de teo­rias e mais teo­rias, vale lem­brar que quando o vídeo foi lan­çado, Kirk Ham­met, o gui­tar­rista da banda, disse que havia encon­trado o docu­men­tá­rio exi­bido no clipe em um antigo mer­cado russo, e que tudo mos­trado ali era real. Obvi­a­mente, tudo não pas­sou de uma cam­pa­nha viral para divul­gar ainda mais o videoclipe.

E já que somos todos nerds por aqui, eu não pode­ria dei­xar de citar The Secret Files: Tun­guska, um jogo para PC desen­vol­vido pela Fusi­onsphere Sys­tems e publi­cado pela Dre­am­Cat­cher Inte­rac­tive em Outu­bro de 2006.

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Jogo base­ado no inci­dente de Tunguska

Assim como vocês podem per­ce­ber pelo nome, o game foi ins­pi­rado nos even­tos acon­te­ci­dos na Sibé­ria, e conta a his­tó­ria de Nina, uma jovem deses­pe­rada com o desa­pa­re­ci­mento de seu pai, o cien­tista Vla­di­mir Kalenkow.

Com a recusa de ajuda por parte da polí­cia, Nina pede ajuda a Max Gru­ber, um velho amigo de seu pai, para que, jun­tos, pos­sam encon­trar algu­mas pis­tas e solu­ci­o­nar o mistério.

É então que, durante as inves­ti­ga­ções, eles des­co­brem que o pai de Nina estava envol­vido em uma expe­di­ção de pes­quisa que foi à Sibé­ria, na ten­ta­tiva de reve­lar as cau­sas da mis­te­ri­osa catás­trofe em Tun­guska, e acre­di­tem, há muito mais em jogo do que o sim­ples desa­pa­re­ci­mento de um velho homem.

Como a pró­pria banda expli­ci­tou no vide­o­clipe, as expe­di­ções levan­ta­ram mais per­gun­tas do que res­pos­tas, e hoje, mais de cem anos depois do inci­dente, nin­guém ainda tem uma con­clu­são con­creta e total­mente acei­tá­vel do que real­mente ocor­reu. Tun­guska con­ti­nua sendo mais um dos gran­des mis­té­rios da huma­ni­dade, e não duvido de que con­ti­nu­ará assim para sempre.

Agora, para fina­li­zar, fiquem com a obra prima con­junta de Roboshobo e Metal­lica: All Night­mare Long.

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4 reações to “Metallica e o mistério de Tunguska”

  1. Gabriel disse:

    Muito bom, Lean­dro.
    Metal­lica é muito bom \„/

  2. Metal­lica É a sua pre­fe­rida haha

    Bom, agora falando sobre o post, a região Rússia-Sibéria-e-cia sem­pre me dei­xou intri­gada. Não à toa, supos­ta­mente acon­tece tudo isso. Ao som de Metal­lica, então…

    Para­béns pelo post, amor! Você sabe que é MARA :)

  3. Jackson disse:

    Achava a música foda, mas não sabia da rela­ção com o inci­dente de Tun­guska. Texto fan­tás­tico, parabéns!

    Esse assunto foi abor­dado numa hq da linha Ulti­mate da Mar­vel, Pesa­delo Supremo. Na his­tó­ria, o que caiu lá foi uma inte­li­gên­cia arti­fi­cial que viaja de pla­neta em pla­neta pra aler­tar sobre uma ame­aça, pra galera poder se pre­pa­rar e ten­tar com­ba­ter. Mas nunca nenhum mundo con­se­gue evi­tar a extin­ção, então a Inte­li­gên­cia arma­zana as infor­ma­ções pra com­par­ti­lhar com o pró­ximo. Ela tinha 100 anos de van­ta­gem aqui na Terra, mas os rus­sos a pren­de­ram por esse tempo e agora já elvis. Essa Inte­li­gên­cia seria a ver­são Ulti­mate do Visão (ou Visã, já que é femi­nina). A ame­aça que des­trói pla­ne­tas? Gah Lak Tus. Achei do cara­lho toda essa adap­ta­ção que criaram.

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