
Numa mesa de RPG, o que mais mata o jogo não é o excesso de regras ou a falta de interpretação: são os conflitos que surgem entre os membros do grupo.
Acabo de assistir o filme The Gamers 2: Dorkness Rising. Apesar de não ser tão engraçado quanto o primeiro filme, ele trouxe à tona vários pontos que vejo como negativos, e que invariavelmente surgem nas mesas do nosso amado Role Playing Game.

Capa de Gamers 2: Dorkness Rising
Eu sou da opinião que, se estamos em um grupo, estamos jogando juntos. A não ser que seja declarado antes do jogo, eu não quero vencer nenhum dos outros participantes. Meu personagem pode ser um arrogante nojento que despreza todos os outros, mas se for para fazer algo que prejudique os outros personagens, que isso aconteça dentro do jogo. Com interpretação. E que o mestre (por favor) crie uma consequência para isso.
Dois problemas me vêm à mente. Um, é o jogador que quer apenas ser o melhor. Que quer que seu personagem seja superior, que quer sobreviver. Na verdade, é mais do que isso: quer mostrar que ele joga melhor que todo mundo.
Mas ora deuses, se fosse para competir, eu estaria jogando War, Detetive, Scotland Yard, Risk e et cetera, não? Não me vejo num concurso. Eu me vejo junto dos meus companheiros, eu me vejo contando uma história. Em conjunto. Personagens completamente diferentes, mas que partilham de um objetivo em comum. Mesmo com as maiores diferenças do mundo, eles podem criar uma amizade e um companheirismo além do imaginado.
Exemplos? Que tal Batman e Superman? Legolas e Gimli? Wolverine e Ciclope? Este último exemplo é ainda pior, mas no fundo ainda são parte de uma equipe, mesmo que um possa odiar o outro. Eles ainda estão juntos, combatendo um mal em comum.
No segundo exemplo estão os jogadores intrometidos. Alguém que se imagina melhor jogador, e fica dando pitacos na forma de jogo dos outros. Isso é o que muitas vezes destrói um grupo. A pior maneira que eu me lembro agora deste exemplo é o clássico “mas o seu personagem não faria isso”!
Deixe os personagens agirem da forma que quiserem. Se eu o estiver interpretando totalmente contra o que eu criei para ser, quer dizer que não estou satisfeito com ele, e isso pode atrapalhar o andamento do jogo. Mas em vez de me inferiorizar, todo o resto do grupo pode me ajudar. Eu preciso fazer um personagem novo para me adequar melhor ao grupo? Se não, como eu posso continuar jogando sem barrar a diversão do resto?
Eu honestamente prefiro jogar em um grupo conciso e deixar que os problemas internos sejam parte da interpretação. Como os problemas citados acima, sempre terão aqueles que ficarão jogando dados uns contra os outros. Imagine que o guerreiro está enraivecido com alguma atitude do ladrão, e que ele queira pegá-lo pelo colarinho. Quantos de vocês pediriam um teste para ver se ele realmente conseguiu?
Nesta hora, eu digo que danem-se os dados, se é para criarmos uma história interessante, que ele pegue meu ladrão pelo colarinho e o espanque bem. Estamos sempre a ponto de querer ser invencíveis que não aceitamos os conflitos dentro da interpretação. E isso acaba atingindo o conflito no grupo de jogadores. E isso acaba com a minha diversão.

































Esse negócio é complicado…
Lembro de um jogo em que houve justamente uma discussão entre um ladrão e um bárbaro, que estava acusando o ladino de roubar umas coisas dele e bla bla bla.
Depois de uma briga foda, o bárbaro matou o ladrão, e o cara ficou desesperado, começou a chorar e expulsou o outro jogador da casa dele…
Resultado: fim de jogo e campanha adiada.
Acho que o maior medo dos jogadores não é se ele é o mais forte .. e sim se o outro pensar em atacá-lo, se ele sobreviverá…
Ninguem quer que seu personagem morra, principalmente depois de muitas campanhas e evolução…
Me lembro de um caso em que um amigo estava narrando para outros dois, os dois eram policiais, sendo que um era corrupto e o objetivo do outro era tentar descobrir isso, o Good cop era casado, e em um momento, a mulher dele sumiu, não atendia telefone, etc, e o bad cop insinuou na mesa que estaria apontando a arma para alguem e ameacando… ponto … foi o estopim, o cara do good cop deu uma porrada na mesa, e comecou a gritar.. cade minha mulher!!!??? se vocês fizeram alguma coisa com ela… cara cadê minha mulher!!!!
No final a mulher do individuo tinha ido no supermercado e estava sem celular ….
Depois disso nunca mais jogamos com esse cara … esses sao os comportamentos que assustam …. mas enfim …
Depois que aprendemos a jogar de verdade, entendemos que o mais importante numa mesa não é o cara saber bater .. mas sim saber pensar … meu melhor personagem não dava uma paulada sequer .. mas em compensação .. ninguem conseguia bater nele.. pelo menos os low level heheheh!!!!