
O que é RPG? É, acima de tudo, um jogo de imaginação. Não existem gráficos, sequências de ação na tela, ou sonoplastia constante. É preciso imaginar. O jogo se forma quando você, seus amigos jogadores e o mestre juntam tudo e formam finalmente a diversão.
Mas não importa o sistema que você use. Muitos grupos acabam ficando apenas nos números, em que torna-se apenas um “jogo”, sem a interpretação de papéis. Muita gente fala mal de D&D, dizendo que o sistema é puramente combativo. Mas qualquer um, inclusive e principalmente os World of Darkness de Storyteller caem fácil fácil no mesmo esquema.
O problema não é do sistema, ou do número de dados que você usa, ou o tamanho da ficha do seu personagem. Não importa você ter 5 poderes diferentes de ataque, ou 3 disciplinas de controle de mente. Todos estão à mercê da própria criatividade e, finalmente, da própria imaginação… o que quando ignorado tira (para mim) a maior parte do sabor do jogo.
Pensemos aqui fora do combate. Qualquer coisa que você faça, é interpretação. Não é porque em algum sistema faltam “perícias” ou “habilidades” sociais que você está limitado, ou que o seu personagem não é único. Classe não define personalidade, nem raça. Ajudam a moldá-la, mas o personagem não é seu.
E não é porque algum sistema possui perícias e habilidades sociais na ficha, que ele é melhor nesse ponto. Do que adianta você dizer “Eu seduzo aquela mulher”, e ficar apenas nisso? Pense, crie. Não é difícil. Se existe alguma “trava” ou vergonha, lembre de algum filme ou de alguma história.
O mesmo esquema se encaixa perfeitamente nos combates. E, pessoalmente, é o que considero ser mais importante em toda peleja. Como mestre e praticante de artes marciais, vou atrás de funcionalidade, interpretando a forma de combate dos meus personagens. Como um nerd que sempre foi apaixonado por batalhas, sejam elas sci-fi ou medievais – não importa o setting, desde que seja interessante -, gosto de imaginar todo o conflito, e que ele ganhe vida nas descrições. Que me desculpem mas, “eu bato” NÃO é um ataque válido quando eu mestro. E quando jogo, fico agoniado com os jogadores que ignoram totalmente as descrições… inclusive o mestre.
Por esse motivo é importante o grupo ter uma certa sintonia, ou que busque a mesma diversão no combate. Porque quando você é o único jogador na mesa que descreve, em breve perderá toda a graça e vai acabar só rolando os dados, como que por inércia. Se você é mestre, faça um favor a você e a todo seu grupo: ESTIMULE a descrição!
E vocês? O quanto valorizam as descrições?

































Porra Stephan, se superou heim, ficou show de bola o texto! Parabéns! ^^
Beijos.
Obrigado, Kell
Ok, pessoas precisam ler esse texto. Houve um tempo em que eu jogava num grupo que não era muito de imaginar as coisas. Minha solução pra isso era escrever, em casa, depois da jogatina, a visão de meu personagem para a aventura passada. Mas isso era quando eu tinha tempo de sobra… hoje em dia, nem consigo jogar RPG mais! =)
Belo texto, Stephan.
Realmente, por isso que o nome é Role Playing Game, ou na tradução literal, Jogo de Interpretação de papéis. Mas muitas vezes isso se perde, pois está cada vez mais comum o tipo de jogador overpower, que otimiza a ficha para o personagem ser o melhor. Consequentemente isso acaba com a diversão do resto da galera. Sempre escuto que a melhor saída é tirar esse cara do grupo, mas hoje em dia no Brasil não é tão fácil arranjar jogadores bons…
Anyway, ótimo ponto. Continue com o assunto que é essencial para nós nerds!
Superbo, Stephan.
Assim, eu senti uma ponta de critica ao sistema WoD, mas sei q é mais aos Fanboys da coisa. Eu mesmo comecei narrando Storyteller e acreditava que isso ajudou muito na minha narração, mas tarde vi que dependia da mente do mestre/narrador. Procurei meios de estimular meu jogadores q estavam muito travados e só queriam saber de XP. Primeiro comecei podando a XP de quem não interpretava, mas o problema mesmo era estimular eles a se envolver na historia. Escrevi um diario em varias folhas do npc q seria assassinado e rasguei algumas folhas e queimei um pouco, e dando paginas ou pedaços do diario para boas interpretações e negociações foi dando um senso de realização aos meus jogadores q logo logo tavam interpretando q era uma maravilha apenas pra saber um pouco mais da historia…
…isso sim é realização.
No final a aventura acabou de um jeito que eu não tinha planejado com Personagem traindo Personagem e outros morrendo. Na epoca achei que tinha sido uma catastrofe, mas até hoje todos lembram com carinho daquela aventura onde quase não houve combates, e quando houve foram extremamente emocionais. Não consegui repetir o feito, mas acho que dar esse senso de recompensa por boa interpretação por ajudar a orientar os jogadores mais ‘ligados em jogar dados’ a começarem a gostar da interpretação e juntar o grupo todo.
@Fabio Kero Eu fazia a mesma coisa, ai um dia pegaram pra ler e me fizeram mestre do grupo. ¬¬. No inicio eu odiei a ideia, mas como todo megalomaniaco, a ideia de estar no controle de tudo (quase tudo) parecia boa. Com o tempo se aprende q não é bem assim… Acabei perdendo o status de jogador por muito tempo, recuperei recentemente, mas mesmo assim ainda me chamam para narrar. CUidado cara
Primeiramente achei o texto 10. Direto ao ponto, sem firulas. RPG é mt + q rolar dados e cair na porrada, acumulando XP, mas aproveitar a experiência da história em si. E isso não pode acontecer sem a interpretação. Como o Jaime citou, vide o q significa RPG.
Uso isso em qquer sistema, com regras bem simples. Não exijo atuações shakesperianas, mas peço q eles interpretem o personagem corretamente. Qd elaboram o personagem, exijo q eles se atenham ás atitudes de acordo com a composição do mesmo. Se é um cara calmo, não cai na pilha fácil e parte pra dentro do primeiro q o olhar estranho. Chamo a atenção dos jogadores q ao chamar o outro não o fazem pelo nome do personagem, mas do outro jogador, e por aí vai.
Sds das minhas sessões de jogo…
Concordo plenamente! Ainda bem que meus grupos normalmente prezam pela interpretação, me divirto muito!
Um dos melhores textos sobre RPG que eu li nos ultimos anos.
Parabéns, passei ele para todos do meu grupo, rs.