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Reputação além dos números

Postado por Stephan Martins em agosto - 28 - 2009

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Texto originalmente publicado no Paragons.

Em qualquer jogo de RPG, especialmente quando se está numa campanha (aventuras one-shot não têm tanta necessidade), é importantíssimo – eu diria até vital – que todas as ações dos jogadores criem consequências. Um exemplo qualquer: deixar de salvar um cidadão transeunte para causar mais dano no inimigo, ou fazer questão de salvá-lo, abrindo a guarda para o inimigo.

Quais as consequências disso? O que diferencia o Batman do Homem-Aranha? E do Justiceiro? Cada um combate o crime à sua maneira. Nem Batman ou o Aranha matam, mas apenas um deles usa o medo como arma, e o outro sofre com o mau uso de sua imagem na mídia. E como isso funciona num grupo de jogadores? É de extrema importância lembrar que em equipes como os X-Men, Vingadores ou mesmo a Liga da Justiça, os heróis que combatem em conjunto se adaptam às maneiras de agirem uns dos outros.

Mas eu quero que vocês pensem além disso. Não só as consequências internas precisam ser criadas, mas como no mundo ao seu redor. Como o grupo funciona? Três pessoas boas, e uma indiferente que apenas os segue? Ou é uma pessoa boa no meio de outras com atitudes dúbias? O que o povo comum, que normalmente é protegido, pensa disso?

Vejam o começo deste vídeo, retirado do filme “O Homem da Máscara de Ferro”, de 1998:

O povo está faminto, e o Rei continua a dar alimentos podres a seus cidadãos. Com isso, uma rebelião ameaça estourar quando a população se vê aos portões do Rei. O governante, indiferente, ordena que qualquer um que se rebele seja abatido. Seus soldados normais não sabem exatamente o que fazer, e assim que se preparam para agir, chega o herói: D’Artagnan. Antigamente ele era apenas um garoto que queria fazer parte dos Três Mosqueteiros. Ele consegue, e passa o inferno junto de seus novos companheiros. Durante o filme, o grupo se partiu. Aramis, Porthos e Arthos estão vivendo outras vidas, enquanto apenas D’Artagnan continua a servir a coroa.

Agora percebam como o povo reage à mera presença dele. Bastou apenas aparecer, e tanto soldados quanto cidadãos pararam suas ações por completo, pois ele é um herói. Ele é conhecido, todos sabem que ele luta à favor do povo. Qual foi a última vez que um herói impediu um massacre com sua mera presença? Outrora, apenas ver D’Artagnan, Aramis, Arthos e Porthos juntos já era o suficiente para estremecer as pernas de qualquer grupo que se opusesse.

Pensem: eles ganharam isso. Ganharam esta reputação depois de anos de luta. Protegendo seu país e a Coroa do Rei. Não é necessário um sistema para dizer que são heróis locais, e que talvez sejam conhecidos em outras províncias e países. É importante que o povo adore seus heróis, torçam por eles. Hospedem eles, caso seja necessário. Prefeitos e outros governantes podem dar conforto apenas por um trabalho bem-feito, em vez de meras 100 peças de ouro. Vilas isoladas talvez os considerem lendas, ou nunca ouviram falar deles.

Alguém lembra de “Sete Homens e Um Destino”? O remake western de “Seven Samurai” (de Akira Kurosawa) é uma obra ensinando como nascem os heróis.

Contratados por cidadãos cansados de serem extorquidos por um vilão, eles estão prontos a dar o pouco que têm por proteção. Com isso, um grupo de heróis surge de uma forma inesperada. E isso traz consequências para eles.

O contrário também serve. Se forem anti heróis, podem ser visto pelos governantes como um “mal necessário”, ou apenas como bons soldados e mercenários. O povo pode não adorá-los, mas não irão odiá-los. Ponto extremamente importante, caso o grupo seja de vilões: serem odiados não é o suficiente. Simplesmente não é. Qual foi a última vez que você viu pessoas normais enfrentando grandes vilões? Heróis surgem das excessões que isso causa, mas os outros precisam sentir medo. Imaginem um grupo de jogadores evil, que está indo tomar um reino à força. Se o Rei não os conhece, pode subestimá-los. Se conhece, pode se sentir ameaçado. Se o Rei está com medo, que dirá dos militares e da população?

Agora lhes pergunto: quem precisa de números de reputação?

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