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    Projeto Orion: explosões nucleares e a conquista de Marte

    Postado por Leandro Arkanun em setembro - 22 - 2009

    ilustracao_orion

    Lembro até hoje da época em que eu era só mais um pirralhinho que gostaria de ser astronauta entre tantos que queriam ser jogadores de futebol.

    O mais legal, no entanto, é que meus pais nunca foram contra o meu desejo infantil. Muito pelo contrário, além dos clássicos blocos de Lego para ficar montando algumas espaçonaves, sempre que possível eu ganhava algum outro brinquedo, livro ou filme relacionados ao espaço e seus mistérios.

    E vai ver que, justamente por isso, eu cresci assim, um nerd feliz e viciado em assuntos que dizem respeito à “fronteira final”, aos extraterrestres, às teorias conspiratórias e, por que não dizer, ao desconhecido…

    Agora, mudando um pouco de assunto e deixando a nostalgia de lado, não há como negar que a Guerra Fria, além de dividir o mundo em duas potências, também foi um divisor de águas na história da humanidade. De um lado estava os Estados Unidos e, do outro, a União Soviética, duas nações extremamente poderosas fazendo uma guerra psicológica, uma coisa de “cão que ladra e nunca morde”.

    A tensão era imensa e assim permaneceu desde o final da década de 40 até o início da década de 90. Mas, como eu não quero ficar dando nenhuma aula de história aqui no Nerdrops – até porque vocês não merecem isso -, vamos direto ao assunto: o Projeto Orion.

    freeman_dyson

    Freeman Dyson

    Tudo começou no ano de 1958, nos Estados Unidos, quando o então engenheiro Freeman Dyson, resolveu conduzir um projeto (que nunca saiu do papel) de uma nave espacial que funcionaria à base de pulsos nucleares, ideia proposta em 1947 por um matemático que participou do Projeto Manhattan, chamado Stanislaw Ulam.

    Isso quer dizer que a ideia de Dyson, baseado em Ulam, consistia em um método de propulsão que utilizaria a energia das explosões de diversas bombas atômicas, detonadas na parte de trás da espaçonave, produzindo uma velocidade muito, mas muito alta, “empurrando” a nave para cima.

    De acordo com o engenheiro, seu projeto era uma abordagem muito melhor para se alcançar o espaço se comparado aos tradicionais foguetes químicos que, além de serem mais lentos e caros demais, sempre colocam pequenas cargas no espaço.

    Vale lembrar aqui que as espaçonaves do Projeto Orion teriam que ser extremamente maciças. Só por questão de esclarecimento, os foguetes que todos conhecemos, apesar de bem resistentes, são projetados com ligas leves para terem o mínimo de massa possível. Mas, no caso dos foguetes do Projeto Orion, quanto mais massa, melhor seria para que as naves pudessem lidar com os impulsos e impactos nucleares.

    Ok, e como seria o funcionamento do projeto?

    A ideia de Dyson era construir uma nave espacial de dez mil toneladas que pudesse alcançar a órbita da Terra através das explosões das bombas nucleares de 0,1 quilontons, que seriam ejetadas a cada segundo (1:1) até que a nave pudesse começar a aceleração. Logo depois, bombas de 20 quilotons começariam a explodir a cada vinte segundos (1:20), levantando a espaçonave e levando-a para o espaço.

    De acordo com os cálculos do engenheiro, seriam necessárias duas mil unidades de pulso (ou seja, explosões) para que a velocidade de escape da Terra fosse atingida.

    No entanto, os planos de Dyson não acabavam por aí. O engenheiro sugeriu, também, uma versão interestelar de uma nave com 40 milhões de toneladas, impulsionada pela força de dez milhões de bombas atômicas, que, de acordo com ele, seria possível chegar à Lua, Marte e Júpiter.

    Obviamente, como tudo não saiu do papel, o Projeto Orion nunca sequer pensou em chegar ao espaço, mas um protótipo de tamanho reduzido foi feito e os engenheiros constataram que as condições dentro da nave seriam praticamente insuportáveis para qualquer tripulante, tudo devido aos impactos das explosões e aos níveis de radiação.

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    Experiências realizadas com um mini protótipo para a simulação das explosões

    Aqui, só por questão de curiosidade, vale lembrar que alguns testes reais de propulsão nuclear já aconteceram, e as informações dizem que a detonação conseguiu lançar uma placa de aço de 900 kg a seis vezes a velocidade de escape da Terra. O teste, realizado durante a Operação Plumbbob (a maior e mais longa série de testes de armas nucleares nos Estados Unidos, ocorrida em 1957, no deserto de Nevada), foi supostamente utilizado como parte da justificativa técnica para dar continuidade ao Projeto Orion.

    Absurdo? Depende do ponto de vista, já que devemos lembrar que estamos falando da época da Guerra Fria, em que planos, teorias e projetos eram desenvolvidos aos montes, não importando a sua grandeza.

    Contudo, após a criação da NASA, em 1958, boa parte do governo norte-americano não queria atrair nenhum tipo de crítica pública por causa da detonação de bombas nucleares, então resolveram cortar o financiamento do Projeto Orion. Com o corte, apenas a Força Aérea dos Estados Unidos continuou liberando recursos (muito limitados) para a continuação dos estudos e experimentos.

    Além disso, em 1963 foi assinado um tratado internacional entre Estados Unidos, União Soviética e Grã-Bretanha, que proibia os testes nucleares na atmosfera. Ou seja, o Projeto Orion tornou-se ilegal pelas leis internacionais.

    Sendo assim, após todos os problemas, sete anos de duração e onze milhões de dólares gastos, a NASA e a Força Aérea anunciaram publicamente o cancelamento do projeto em 1965.

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    Renderização da espaçonave deixando a atmosfera

    Porém, apesar de ter cancelado o projeto, a agência espacial ainda mantém um grupo dedicado a preservar todo o know-how acumulado, caso tal conhecimento venha a ser necessário novamente. E, como se não bastasse, a NASA também acabou comprando aproximadamente 1700 páginas de documentação que não possuía sobre o Projeto Orion.

    O tal “venha a ser necessário novamente”, é porque dizem que, se de repente um asteróide/meteoro gigante for descoberto em nossa direção e a colisão for inevitável (2012, oi?), a única tecnologia conhecida, capaz de enviar uma grande massa além da órbita da Terra, é o uso da propulsão nuclear. Entenderam?

    E agora, mais de 40 anos depois, a NASA está desenvolvendo um novo projeto chamado Constellation, cujo nome da nave é – adivinhem! – Orion.

    No entanto, dizem não ter nada a ver com o Projeto Orion de Freeman Dyson, mas, segundo Don Pearson, diretor de construção do programa PORT (Teste de Recuperação Pós-Pouso), os objetivos são os mesmos: chegar à Lua e a Marte.

    “Não temos palavras para expressar nosso orgulho. A construção e os testes da Orion irão demonstrar à América que fomos muito além dos ônibus espaciais. A Orion é de uma outra geração de naves, e nós a estamos construindo porque queremos mesmo chegar em Marte”, declarou Pearson.

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    A nova espaçonave Orion

    Os planos atuais mostram que o Projeto Constellation chegará para substituir os ônibus espaciais atuais, com “aposentadoria” prevista para 2010. Porém, o caminho de aprendizagem será bastante longo, já que uma missão completa de ida e volta até Marte pode durar, pelo menos, três anos e meio.

    “Nós não estamos tão confiantes de que a tecnologia humana atual consiga durar três anos viajando no espaço sem que as coisas quebrem, e é justamente por isso que, antes, faremos diversas viagens à Lua, que duram apenas três dias. E será aqui, nesse tempo, que os astronautas montarão acampamentos e praticarão as atividades que farão em Marte”, finalizou Pearson.

    marte

    Marte: destino da Orion em 2030

    O objetivo da NASA é que até 2015 a nova Orion já esteja transportando astronautas até a Estação Espacial Internacional (ISS), e, segundo a agência, a cápsula também será utilizada como laboratório de testes antes que possa, definitivamente, rumar para a Lua em 2020, e Marte em 2030.

    Não quero parecer uma pessoa paranóica, mas se planejavam coisas desse tipo nas décadas de 50 e 60, imaginem quantos projetos misteriosos ainda circulam por aí. E o pior: quantos desses projetos já devem estar em fase de execução e/ou testes? E não, não estou falando só de coisas antigas…

    Agora, só para finalizar, vamos brincar um pouquinho com as teorias conspiratórias. Será que o objetivo real dos norte-americanos era mesmo o de criar uma espaçonave? Ou tudo isso não passou de uma desculpa para um possível desenvolvimento de uma nova arma nuclear para ser colocada em órbita e intimidar ainda mais os soviéticos?

    A verdade, meus caros, está lá fora, mas o problema é que quase ninguém irá saber dela.

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    11 NERDROPPERS para “Projeto Orion: explosões nucleares e a conquista de Marte”

    1. Gabriel disse:

      Muito boa a idéia do meteoro gigante…

      • Guizaum disse:

        Nego inventa cada coisa pra gastar dinheiro. Acho que falar de “meteoros gigantes”é uma ótima desculpa durante a guerra fria, ainda mais quando tem os americanos vindo “dos céus”.

        Enfim, acho que podiam ter usado apenas aquele papo Lua/marte ou exploração espacial em sí.

        Ps: Muito legal esse texto, as imagens tbm. Parabéns Arkanun! Agora o Fre­e­man Dyson é a CARA!!!! daquele empregado do Mr. Deeds – saquem o link http://www.twitpic.com/iqfcq

    2. Pedro Torres disse:

      o amuco já pensou que bombas atomicas tem radiação e poderiam contaminar toda a area de lançamento?
      hum?

      • Leandro Ark disse:

        @Pedro Torres: Sim, e esse foi um dos motivos que fez com que o projeto não saísse do papel. Além da constatação de que as con­di­ções den­tro da nave seriam pra­ti­ca­mente insu­por­tá­veis para qual­quer tripulante, seja pelo impacto das explosões, ou pela radiação emitida pelas bombas (assim como foi descrito no texto).

        Abraços.

      • Nonie disse:

        Apparently this is what the estmeeed Willis was talkin\’ \’bout.

    3. Angela Hortencia Web disse:

      O pior disso tudo é a situação atual dos países e essas transações bélicas que tem sido feitas.

      Realtivar um projeto desses e por outro lado ver Venezuela encomendando armamentos e tanques da Rússia é bizarro.

      Bolívia ALI com a Venezuela.

      Cuba naquele vai não vai.

      Colômbia aceitando os EUA no território deles…

      Ah, e o Brasil comprando 984759894 de caças da França para vigiar as fronteiras?

      Tentem imaginar daqui 10 anos.

      Pobre Amazônia, se ainda existir.

      • Jordan disse:

        [Conspiração mode On]

        Talvez o plano seja lançar esse foguete na área amazônica, assim se livrando do "meteoro" e do Acre ao mesmo tempo.

        Destruíndo o lugar no processo eles poderão acobertar qualquer coisa que ocorreu lá.

        Com a floresta já devastada, não se "perderá" a floresta na explosão.

    4. Fábio disse:

      Quanto tempo demoraria uma viagem a Marte com essa nova tecnologia? Gostaria muito de estar vivo para ver isso acontecer…

      • Leandro Ark disse:

        @Fábio: Então, cara… De acordo com as informações da NASA, as viagens pra Marte estão programadas pra 2030… Se até lá nada sair errado e o prazo for cumprido como prometeram (contando também o tempo de viagem daqui até Marte), você teria que viver pelo menos mais uns 25 anos pra poder ver… :P

    5. Jordan disse:

      Texto muito bom, conseguiu ligar os pontos de uma maneira que se torna fácil perceber as ligações entre passado, presente e futuro em relação à essa pesquisa e as possíveis intenções dela.

    6. Carlão disse:

      Pra mim nada mais é do que um projeto que visa importar rapidamente o Hélio 3 de Marte. Um ônibus espacial repleto de Hélio 3 é suficiente para girar a economia dos EUA por um ano (e sem petróleo).

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    Esperamos que vocês gostem (=