Há dez anos, um dos mais queridos personagens do universo Marvel, o Homem-Aranha, saltava das páginas dos quadrinhos para às telas do cinema, fazendo com que várias gerações de leitores se extasiassem com imagens do herói da vizinhança se balançando pelo icônico cenário urbano de Nova York exercendo vários contrastes entre a ação, fantasia em meio de muitos dos mais conhecidos cartões postais da grande metrópole. Sam Raimi despontava como a pessoa certa para levar a cabo a tarefa de fazer com que o escolhido Tobey Maguire, encarnasse o aracnídeo em todas as suas facetas que o transformaram no carro-chefe da gigante Marvel e que já deixara sua marca nos cinemas com projetos de menos repercussão, mas ainda assim muito bem sucedidos (como Blade e X-Men). Como toda grande e aguardada produção do gênero, a ocorrência de erros seja elas na elaboração de um roteiro ou na produção em si é esperada, mas o carinho do público pelo Aranha e seu alterego Peter Parker fazem com que tudo isso passasse despercebido. A franquia marcou os cinemas com dois filmes de sucesso e um terceiro muito questionável, sendo que por esta foram apresentados os mais tradicionais personagens de sua mitologia o que também inclui os mais importantes membros de sua galeria de vilões encerrando a trilogia em 2007.
Julho de 2012 chegou, e com ele vem uma nova promessa com o ano que marca o aniversário de 50 anos do personagem. Por questões contratuais e outra série de detalhes documentais, os estúdios da Sony/Columbia , detentora dos direitos do rentável personagem, se sentem compelidos a revisitar a série de filmes mais uma vez, evitando com que os mesmos retornem às mãos da Marvel, principalmente agora que contam com uma divisão exclusivamente voltada ao cinema, mas que somente foi fundada em 2008, anos depois da aquisição do Aranha pelos estúdios da Sony. Com a decisão da retomada da história pelo ponto de origem do Homem-Aranha, uma dúvida permanecia no ar. Seria mesmo necessário um reboot de uma franquia que nasceu apenas dez anos atrás?
A resposta é: Definitivamente não. Mas isso não faz com que O Espetacular Homem Aranha seja uma atração desnecessária visto que na última década, não só a maneira de se fazer filmes e como exibi-los mudou, mas o mais importante, a capacidade de se realizar uma adaptação reconhecendo que nesta curta passagem de tempo o mundo mudou.
O personagem passara por problemas semelhantes até mesmo nos quadrinhos, visto que por muito tempo, mesmo com o passar dos anos, o Homem-Aranha e os demais personagens coadjuvantes de suas histórias, permaneciam inalterados mesmo com a evolução do mundo em sua volta. Erro talvez, até mesmo da trilogia de Raimi, que mesmo se passando em um período contemporâneo, contava com muito das antigas características. E aqui entra o diferencial de O Espetacular Homem-Aranha.

Sheen e Field com Ben e May parker
Assim como a trilogia passada, Peter Parker é um jovem comum, o impopular adolescente colegial assombrado pela repentina e misteriosa ausência dos pais em sua infância, criado pelos seus carinhosos tios Ben e May, com uma queda pela mais linda de suas colegas de classe, Gwen Stacy . Seu interesse pelas ciências e sua determinação pela resolução de seu passado nebuloso por recentes descobertas sobre a vida de seus pais o leva a contatar o cientista Curt Connors, cujas pesquisas pela companhia OSCORP buscam respostas para várias enfermidades degenerativas do ser humano, tendo em seu braço amputado, a maior fonte de determinação por um resultado positivo em suas pesquisas. A vida de Parker dá uma guinada após uma aranha de laboratório o ter picado e lhe concedido habilidades extraordinárias semelhantes ao aracnídeo. Enquanto isso, apesar de sua boa índole, Connors cede às pressões corporativistas da OSCORP, e em uma precipitada decisão se torna cobaia de seus próprios experimentos de cruzamento de genes entre espécies fazendo com que se torne vítima e ao mesmo tempo uma das maiores ameaças a Nova York e o maior desafio para o novo herói da vizinhança, O Espetacular Homem-Aranha.
Dada a recente franquia, podemos definir o trabalho dos roteiristas James Vanderbilt e Irvin Sargent como certeiro visto que o desenvolvimento de Peter Parker/Homem-Aranha e de seus incríveis poderes além dos personagens e do demais universo, foi bem ágil beirando ao superficial, mas que convenhamos, sem necessidade de uma atenção maior devido a recente super exposição do personagem na década que se passou. Em relação à história, o uso dos personagens fazendo-se proveito do novo elenco dá um sangue novo à franquia, um ritmo diferenciado mesmo ao apresentar os mais tradicionais deste universo. Andrew Garfield (A Rede Social) se encarrega de encarnar a nova versão do herói em um mix de várias influências vindas dos quadrinhos dando uma certa ênfase ao universo Ultimate, série periódica que retrata o Homem-Aranha como sendo originado no mundo que conhecemos hoje e sendo influenciado por elementos atuais como a constante presença em nossas vidas da tecnologia e da internet.

Ifans como o amaldiçoado Dr. Curt Connors
O interesse romântico de Parker, Gwen Stacy, elemento original das antigas histórias do Aranha, encontra-se bem definida pela revelação dos últimos 3 anos em Hollywood, a jovem e convincente atriz Emma Stone (Histórias Cruzadas, Zumbilândia) e que ao lado de Dennis Leary, o capitão George Stacey, dão toques bem sutis que enriquecem e muito o argumento do longa. Mas como todo bom leitor, é praticamente descartável qualquer história do Homem-Aranha sem a presença daqueles que definiram e deram valores morais para o nosso super-herói, seus tios e tutores Ben e May Parker , presença marcada dos veteranos Martin Sheen (Apocalypse Now) e Sally Field (Forrest Gump) que deram profundidade e carisma aos mesmos em poucos minutos presentes em tela e que cativam a audiência apenas com olhares, gestos e diálogos objetivos. Para aqueles que visavam objetividade no desenvolvimento do herói, obviamente alguém teria que ser sacrificado, mas ainda assim, O Lagarto, resultado de uma experiência mal sucedida do Dr. Curt Connors interpretado pelo britânico Rhys Ifans (Um Lugar Chamado Notting Hill), concede ligeiros toques de dualidade no vilão que não é composto totalmente pelo mal.
O filme mostra uma versão mais adolescente é verdade, mas o diretor Marc Webb aliado ao roteiro ágil não deixa que este fator permeie constantemente o longa. Ao se distribuir os créditos de tudo que foi certeiro, é difícil definir se foi questão de aprendizado com os erros da trilogia de Raimi e Maguire ou se realmente Webb e demais membros da equipe fizeram bom uso não só do bom elenco e roteiro, mas como também da pós produção atual, que diga-se de passagem, foi uma estrela a parte visto que os personagens desenvolvidos por computação gráfica são mais convincentes graças às modernas ferramentas empregadas na área cinematográfica. Os movimentos do aracnídeo são fluídos e remetem realmente aos de uma aranha em certos momentos do filme especialmente nos mortais duelos contra o Lagarto além também de um leve influência do visual de Todd McFarlane quando assumiu a arte de seus quadrinhos nos anos 90 quando nos referimos às estranhas posturas e movimentações do cabeça de teia.Um dos quesitos bem aproveitados ao nos referir a tecnologia de exibição em 3D que faz o público se balançar entre os edifícios junto com o Homem-Aranha e quando há elementos de destruição e explosão em tela. Poucos momentos é verdade, mas que são aplicadas de maneira inédita em um longa para o cinema.

Os lançadores de teia estão de volta!
Em suma, O Espetacular Homem Aranha ainda é diversão garantida. Substitui a Trilogia de Raimi? Na verdade não, ambos ainda se complementam explorando diferentes facetas de todos os personagens deste universo. Diferente elenco para os mesmo personagens nos desperta atenção em outros aspectos de sua cerne. Uma nova direção e roteiro com certeza nos garante diferentes pontos de vista sobre o super-herói no qual acompanhamos nos últimos cinquenta anos com um carinho imenso, seja isso pela coragem, pela carisma do herói, ou simplesmente pelo seu lado humano no qual nos identificamos.Não importa se é o Homem-Aranha de Stan Lee e Steve Ditko, Romita Sr. e Esposito, Marc Webb ou Sam Raimi, O amigo da vizinhança sempre estará por aí!

Nota: 7,0

































