
Nunca fui a favor da expressão recentemente adotada para quem quer ir ao cinema “pra quem quer diversão sem compromisso”, até porque, se eu tivesse um compromisso no cinema, seria levar aquela gostosona que tô a fim pra assistir a um filme horroroso, que nenhum de nós dois vai prestar atenção, porque iríamos ficar nos agarrando no escurinho. Contudo, já aviso que Os Vingadores não é “diversão sem compromisso”, e também aviso que não existem spoilers neste post.
Ao entrar no shopping, antes mesmo de me dirigir ao cinema, me imaginei como o Capitão América, naquela cena dos trailers que mostra o bandeiroso ao lado do Gavião Arqueiro e da Viúva Negra, andando de cabeça erguida sem olhar pros lados. Conforme me aproximava da sala de exibição, com o ingresso reservado para membros da imprensa em uma das mãos, e com a mão da Ana Claudia agarrada nos dedos da minha mão esquerda, me senti invencível, como se estivesse segurando o famoso escudo forjado com adamantium e vibranium (o INGRESSO seria o escudo, e não minha loirinha!). Entrei, busquei um bom lugar, com a pipoca, os natchos e o refri bem acomodados, e aguardei o apagar das luzes tal como se estivesse aguardando a aplicação de raios vita a que Steve Rogers foi submetido durante a Segunda Guerra. Nem o trailer espetacular de Homem-Aranha (desculpa, não resisti ao trocadilho!) diminuiu minha expectativa, e ela valeu à pena.
Se em seus filmes solo Homem de Ferro, Hulk, Thor e Capitão América, brilhantemente acompanhados por Gavião Arqueiro no filme do Deus do Trovão e Viúva Negra na segunda aventura das telonas do ferroso, já detonaram a crítica, a união de personagens tão cativantes e bem adaptados superou a mera soma de suas partes, com certeza tornando Os Vingadores a melhor adaptação quadrinística de todos os tempos para o cinema. Há de se destacar o belo trabalho dos “coadjuvantes”, como Maria Hill, Coulson e Nick Fury, sem esquecer, claro, de Loki, o fator de integração da superequipe.
Sinceramente, só tenho elogios ao roteiro, que contou (e muito) com a colaboração de Joss Whedon, que assim como em suas séries, tirou o melhor de cada membro do grupo, fazendo com que todos tivessem relevância na trama, cada qual a seu estilo. E aqui vai um breve preview, sem spoilers: nas HQs, Clint Barton (o Gavião Arqueiro, se você vive em uma caverna e não sabe que ele é o herói de arco e flecha) é o responsável pelo “alívio cômico”, mas quem rouba a cena nesse quesito no filme, como todo mundo já percebeu, é Tony Stark. Aliás, se eu fosse o responsável por agenciar a carreira de Robert Downey Jr., recusaria todos os outros papéis, inclusive de Sherlock Holmes, para uma dedicação exclusiva a filmes do Homem de Ferro, tal a magistral interpretação e caracterização que deu ao personagem.
Como não quero estragar o clima de ninguém, novamente digo que não vou soltar spoilers, mas vou falar sobre o longa metragem. O filme captura o clima da equipe das HQs, mostrando heróis realmente fazendo a diferença, utilizando suas habilidades únicas em prol da humanidade. Joss Whedon conseguiu deixar os Vingadores com cara de Supremos (a versão Ultimate dos heróis), sem perder aquela essência primordial que os transformaram na maior equipe do Universo Marvel “regular”, que faz com que todo herói da Casa das Idéias tenha o desejo de se tornar um Vingador. Aliás, para quem acompanha Os Supremos, Viúva Negra e Gavião Arqueiro protagonizam cenas bem familiares lutando contra os aliens (que não podem ser chamados de Skrulls, pois a Fox detém os direitos do nome, devido ao envolvimento do estúdio com o Quarteto Fantástico), “bem ao estilo Matrix”, quando da estreia dos dois personagens nas HQs.
Além de cenas de ação de tirar o fôlego, explorando o potencial físico e heroico de cada um, Os Vingadores triunfa onde X-Men e Quarteto Fantástico falharam. No filme dos mutantes, alguns personagens ficaram apagados, com muito destaque para Wolverine, e em ambos os casos, como também aconteceu em Homem-Aranha com a imposição da aparição de Venom, a pressão pela presença de personalidades daquele microuniverso acabou por atrapalhar o desenvolvimento da trama, o que não ocorre no atual filme.

Tony Stark: mais uma vez, o destaque
Mas não pense que Os Vingadores não contam com presenças ilustres de seu universo! Pelo contrário, se alguém que conhece as HQs (como o Efraim Fernandes) ou é realmente fanático pelo grupo (como eu) começar com risadinhas, apontando o dedo pra tela, ou até mesmo soltando um “U-Hú!”, pode ter certeza que em pequenos diálogos ou ao fundo, aparecem pessoas como Carol Danvers, T’Challa e tantos outros (CLARO que não vou falar mais nomes pra não estragar as DIVERSAS surpresas, “microscópicas ou gigantes”). E PELAMORDEDEUS, só saiam após as luzes se acenderem, NÃO SE ESQUEÇAM DISSO!
Vou destacar uma cena de cair o queixo, protagonizada por Homem de Ferro, Capitão América e Thor, respectivamente, a mente, o coração e a alma do grupo: os três vão “se conhecer melhor” (he!), e o que ocorre é aquilo que sempre esperamos ver adaptado dos heróis nas telonas, com o traço marcante de Joss Whedon tanto nas cenas de ação quanto nos diálogos (juro que uma hora achei que o Gunn tava conversando com o Wesley, sob a supervisão do Angel, mas era apenas o Tony Stark enchendo o saco do Gavião Arqueiro com o Nick Fury ao fundo… MAS VINGADORES NÃO É CÓPIA DE SÉRIE!).
No mais, é aproveitar as mais de duas horas grudado na cadeira e resistir veementemente ao impulso de gritar a cada cinco minutos “AVENGERS, ASSEMBLE!” (o que acabei fazendo por duas vezes, onde a primeira foi seguida de um empolgado coro de “Éééééé!!!!!”, e a segunda, “shiiiiiiiiii!!!!!!!”… pois é…).

Avaliação: 10 (+ 10 pelas interpretações, + 10 pela direção, + 10 pelo roteiro... rs!)
































CA RA LE OU! Tenho q ver essa parada! Salve a todos!
aHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
VOU AGORA FICAR NA FILA DO CINEMA…