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    Resenha | Tropa de Elite 2

    O inimigo agora é outro?
    Postado por Allan PoLLaR em outubro - 14 - 2010

    Para começar tenho duas coisas a dizer. Sylvester Stallone é uma mocinha. E Tropa de Elite 2 estragou meu ano com cinema. Nenhum filme ao qual eu assisti ou vou assistir supera o que vi ontem no cinema.

    Já havia ouvido comentários de pessoas que haviam assistido Tropa 2 no cinema, todos positivos, e não pude esperar mais, apesar do inferno que é assistir filme no dia da meia entrada.

    O filme começa com uma cena muito bem construída, no mesmo estilo do primeiro longa, em que um evento desencadeia uma gama de acontecimentos entrelaçados, amarrados de uma tal maneira pela edição que às vezes deixa o telespectador sem fôlego. Para quem gosta, como eu, foi bom demais.

    Para resumir, o Capitão André Matias, sob o comando do agora Coronel Nascimento, se precipita durante uma ação em Bangu I e causa uma matança de presos, testemunhada por Fraga, um ativista dos direitos humanos (e que é o novo marido da mulher de Nascimento). Isso causa a saída de Nascimento e Matias do BOPE, para destinos diferentes.

    Pela aprovação da população com relação ao que houve na cadeia, Nascimento é promovido a sub-secretário de segurança do Rio de Janeiro, para contrariedade do Governador e do Secretário de Segurança. Já Matias vai para um batalhão repleto de policiais corruptos, aparentemente liderados pelo Coronel Fábio. E chega de contar o filme.

    A partir daí, o campo de batalha de Nascimento muda, e a primeira vítima que tomba é a sua própria inocência. Quando o coronel se dá conta de que os traficantes eram “uns juvenis” perto da verdadeira quadrilha, é angustiante ver o sofrimento do ex-caveira, bem retratado na desolação do seu apartamento vazio.

    Aliás, é assim que o sub-secretário se sente: sozinho, nadando em meio a um enorme cardume de tubarões. Com o fim dos traficantes e a ascenção das milícias constituídas de policiais corruptos e apoiadas por políticos ávidos pelos votos das comunidades, o engravatado Nascimento vai se sentindo cada vez mais de mãos atadas pelo “sistema”.

    E para piorar, o ex-BOPE tem que lidar ainda com o crescimento de seu filho, dividido pelas diferenças entre seu pai e seu padrasto, diametralmente opostos.

    Aqui eu acho que cabe um parênteses com relação ao elenco, que, com pequenas exceções, é simplesmente genial. Wagner Moura como Nascimento põe o filme debaixo do braço em vários momentos. Para apontar as baixas (sem trocadilhos), eu indicaria André Ramiro, o Matias e Pedro Van Held, o Rafael, filho do Capitão Nascimento.

    De Ramiro eu esperava mais, depois do primeiro filme, em que ele já não tinha me convencido. Imaginei que talvez o rapaz fosse frequentar umas oficinas para aprimorar o ofício, mas mais uma vez sua interpretação me soou artificial demais.

    E Van Held foi simplesmente apagado, sem brilho algum, sendo sempre salvo em suas cenas pelo brilhantismo de Wagner Moura, Maria Ribeiro ou Irandhir dos Santos, uma grata surpresa.

    E se para apontar dois pontos negativos eu fui rápido no gatilho, dois pontos positivos podem ser dados de bate-pronto: André Mattos e Sandro Rocha. O primeiro estava impagável em seu papel de apresentador de programa de TV estilo mundo cão / (“barra”) político corrupto, fazendo a platéia rir em pelo menos duas vezes, fora a atuação como deputado. Já Sandro Rocha, o bonachão em Tropa 1 (“Pra rir, é preciso fazer rir”), fez um contraponto de caráter ao Nascimento incrível no papel do Major/líder miliciano Rocha.

    Como diria Argentoni: “simplesmente fantástico”.

    E o filme vai se desenrolando em mais de duas horas, que eu simplesmente não vi passar. E o final, claro que não vou contar, pois sempre tem um desavisado que lê uma resenha sem esperar spoiler, mas eu senti como um tapa em minha cara, dado com vontade.

    O diretor José Padilha já havia dito que queria seu filme como fonte de discussão sobre a segurança pública, em pleno ano eleitoral. Alguns críticos acharam que o longa apresentou poucos argumentos para trazer o assunto à baila, simplificando demais a trama em torno da corrupção.

    Mas o filme traz muito o que pensar sim. Eu mesmo cheguei em casa tenso e tive que ler um livro sobre Guerra para relaxar (sem brincadeira). Mesmo agora ainda estou frenético com o que vi na telona ontem.

    A questão da Segurança Pública, embora não tenha sido totalmente mostrada, como foi assinalado, parece trazer um raio-X da espinha dorsal do problema todo, e joga “a pica na mão do aspira”, que no caso é o espectador, que se vê na tarefa de escolher qual papel assumir, o que fazer em meio a um panorama que parece fechar as paredes sobre todos.

    E se te faz pensar, é lógico que te faz discutir.

    Todo mundo quer encarnar um Nascimento e fazer e acontecer tanto no chão da favela quanto numa assembléia legislativa predominantemente corrupta ou num gabinete em que geralmente os funcionários estão sempre engessados pelos interesses dos chefes do executivo. Ou mesmo ser um deputado Fraga e apontar as mazelas do legislativo. Mas não podem. E se não podem, como contribuir para a situação melhorar, dentro da sua esfera de atuação?

    Para mim, começa aí a discussão.

    Outro ponto que observaram sobre a direção de José Padilha, que foi dita como muito dependente da narração de Nascimento para o desenvolvimento da trama, devo lembrar que o filme é feito para todo tipo de gente, com maior ou menor capacidade para interpretar imagens, que pagam o mesmo valor de ingresso, e merecem, sim, estar no mesmo patamar de consideração do condutor da narrativa.

    Enfim, como eu já disse no começo, Tropa de Elite 2, na minha opinião, foi o melhor filme do ano de 2010, seja no âmbito nacional ou internacional. Fazia tempo que eu não saía da sala de cinema tão confuso e com tantas coisas para digerir ainda.

    Não sei se cabe um Tropa 3, mas se vier, só tenho uma coisa a dizer: em José Padilha eu confio.

    Nota: 10

    Nota: 10

    Sobre o autor

    PoLLaR é funcionário público, e blogueiro/podcaster nas poucas horas vagas. Adora assistir filmes e ler livros. E é um maluco convicto.

    16 NERDROPPERS para “Resenha | Tropa de Elite 2”

    1. Samitchaq disse:

      Excelente resenha! Obrigada, deu vontade de sair correndo pra ir ao cinema! FUI!

    2. Natan disse:

      Excelente texto. Também concordo com o que você analisou e acho que, sem dúvida, é o melhor filme brasileiro de todos os tempos. Isso é um fato.

      Parabéns pela análise.

      Abraços..

    3. Leandro Kindermann disse:

      Muito boa resenha Pollar. Concordo com você em quase tudo, achei que o André Ramiro estava muito bem no seu papel tanto nesse quanto no primeiro filme.

      Também sai do cinema cheio de questões e mesmo depois de alguns dias de ter visto o filme, ele ainda está na minha cabeça, martelando. Se houver um terceiro, estarei lá. Em José Padilha eu confio[2].

    4. Leo Luz disse:

      “Quer me fuder. Me Beija!”

      Talvez mais das frases célebres do filme, seja o retrato das pessoas por trás dele. Tropa 2 é feito para quem gosta de cinema, POR quem gosta e faz cinema e para o público em geral que acha que é mais um filme de guerrilha urbana.

      Tropa 2 tem mas diálogos do que o primeiro, porém suas cenas de ação são mais trabalhadas e mais explosivas por assim dizer.

      Se vcê, Pollar, recebeu o tapa na cara, pode ter certeza que não foi o único. Eu tive um murro no estômago mesmo. Roubar todo mundo rouba, mas igual ao retrato social no filme, só sendo político.

    5. Efraim disse:

      Rapaz, devo admitir q nem mesmo vi o primeiro filme. Vou ter de remediar isso e ver a sequencia.

      Rapaz, q resemha, hein!

    6. Vivacqua disse:

      Esse menino escreve bem, e tá falando de filme bom, respeito…

    7. Eu assino embaixo de td que vc isse meu querido :D

      tambem achei o melhor filme desse ano!

      Só n acho que a atuação do Ándre Ramiro foi ruim, ele simplesmente teve pouco destaque no filme já que, dessa vez, o bope nao era assunto principal,então ele sobrou em alguns momentos, aparecendo soh no começo e no fim.

      Abraço o/

    8. Ian R. disse:

      A fraze de começo e uma fraze de brincalhão

      Fraze de moleque.

      É quaze como tampar o sol com peneira.

      Ótimo filme

      Faz pensar e se não faz pede pra sair do pais seu zero 1

      So não entende que o filme mostra apenas uma lasca da verdade que corroi esse pais quem é MUITO burro, ou quem realmente não quer ver.

    9. Adorei o filme… só não curte o remake nas frases do primeiro, e se sai antes da eleição esse filme, acredito que poderia mudar as eleições (ou não)

    10. Ester Castro disse:

      Fala Pollar!!!!

      Cara, vi o filme também e endosso seu texto. José Padilha incitou um tremendo orgulho do cinema brasileiro e Cap. Nascimento é meu novo ídolo!

      Mesmo sendo mais político do que porradaria é eletrizante e “rúpiante” hahahahahaha

      Filmaço!!

      Abraço!

    11. QUEIROZ disse:

      Eu acho que consciencia política e voto são a solução. E quanto a realizar um Tropa de Elite.3 só se fosse um filme surreal: O Nascimento sendo entrevistado por um cara interessado em realizar um filme sobre a vida dele, e nisso o Nascimento conta como começou a sua vida no Bope aí o que teriamos senhores? Um prequel!!! Seria uma boa Nascimento Begins

      Valeu Pollar

    12. Jaquenilda disse:

      Este filme e muitiiissiiiimooo bom todos devem assistir!!!!!!!!!!!!Parabens pelo otimo trabalho que voces vem dirigindo!!!!!!!!!!!!

    13. ramon rafael disse:

      este filme é muito bom as cenas e etc

    14. THAYS CALHEIROS disse:

      cara acabei de asistir o filme para fazer uma resenha para o colegio gnt que filme bom ficou marcado na minha vida o coronel nascimento disse uma frase logo no começo do filme que me marcou muito:”mas é na hora da morte que a gente entende a vida” amei

    15. Danilo ALvares disse:

      Nossa muito bom, tbm tenho q fazer uma resenha e esse eh muito bom modelo para se escrever uma!

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