
Para aqueles que não se lembram, o fim da década de 1990 foi um período turbulento para os fãs dos quadrinhos. A (na minha opinião!) maior editora do mundo, Marvel Comics, anunciava que abrira seu processo de falência. A “Casa das Idéias”, alavancada pelo Tio Stan no início dos anos 60 do século passado, já vinha demonstrando sinais de desgaste e se arrastando por quase cinco anos, acumulando queda nas vendagens devido à pirataria da recém-globalizada internet.
Com um processo agressivo de reestruturação, um nova diretoria foi nomeada, e Joe Quesada, um dos amantes incondicionais e declarados da editora, assumiu o posto-mor, trazendo um pequeno, porém fundamental, fôlego para a indústria dos quadrinhos.
Percebendo a tendência da nova ordem mundial, Quesada radicalizou ao liberar, gratuitamente, suas histórias na internet. Deixando muitos pessimistas de queixo caído, na medida em que trouxe de volta uma legião de fãs, aumentando as vendas e estabelecendo novos recordes de reimpressões para suas obras. A questão serve de parâmetro em faculdades de comunicação quando o tema abordado é se a internet veio para substituir os meios impressos (particularmente, acredito que não, pois o ser humano ainda guarda para si o sentimento de posse. “Esse é o MEU jornal. Essa é a MINHA revista”).
Mas essa atitude de Quesada teve um desdobramento altruístico, uma vez que, com o aumento nas vendas dos quadrinhos, a sua principal concorrente, Detective Comics (DC para os leigos), acabou se beneficiando pelo retorno dos fãs.
Com a reaproximação do público, Quesada deu um passo à frente em direção a antigos sonhos de “geeks” do mundo inteiro, e firmou acordo para adaptar para os cinemas seus principais personagens.
Assim, surgiu o primeiro X-Men, sucesso de público e crítica, seguido por Homem-Aranha, Demolidor, Hulk, Justiceiro, Quarteto Fantástico e por aí vai. É óbvio que existiram os sucessos e as bombas. Aprendendo com os erros, a Marvel agora gerencia seus próprios filmes, o que dará mais liberdade criativa para os roteiristas. Mas tudo isso levou mais pessoas a lerem os quadrinhos.
Percebendo o grande potencial de retorno financeiro, a DC também voltou a investir, embora timidamente, em adaptações cinematográficas de seus personagens, revitalizando projetos há muito esquecidos de sua “irmã mais velha e rica”, Warner Bros.
Resta saber se os próximos projetos cinematográficos serão tão competentes como suas contrapartes da celulose.
As 5 melhores adaptações das HQ’s para os Cinemas
Só para não perder o costume (desde minha última e única postagem no Nerdrops!), aqui está minha lista do que julgo o melhor já adaptado para as telonas.
5º Lugar: X-Men

Que muitos reclamem das adaptações (vale lembrar que não é TRANSPOSIÇÃO de uma mídia para a outra, é ADAPTAÇÃO!) realizadas para a produção deste filme, mas a verdade é que as atuais obras baseadas em quadrinhos se resumem antes e pós X-Men. Hugh Jackman, Patrick Stewart, Sir Ian McKellen, Anna Paquim… e Bryan Singer em sua melhor forma à la “Os Suspeitos”. Embora as piadinhas fossem ruins, como já disse, o filme foi um divisor de águas.
4º Lugar: Homem-Aranha 2

O melhor da série. Na verdade, em minha opinião, o único que deve ser considerado! Mostra o conflito de Peter, o velho “azar do Parker”, o rolo com a MJ… só faltou mesmo John Jameson virar o Homem-Lobo e Dr. Connors, o Lagarto. E não se enganem: Alfred Molina É o Dr. Octopus!
3º Lugar: Blade

Podem me xingar, mas gostei MUITO dos dois primeiros filmes do Blade. O sucesso foi tão grande que a Marvel reformulou o personagem, dando o aspecto de Wesley Snipes ao seu caçador de vampiros. E sejamos francos: era 1999 e o filme surpreendeu, principalmente para quem jogava Vampiro: A Máscara e pôde visualizar, mesmo que de relance, como se comportava um Principado. Menção honrosa a Blade, já na abertura dos créditos, caçando, na Rússia, o vampiro que foge no início do filme!
2º Lugar: Watchmen

Uma verdadeira obra de arte. Só não figura como primeiro colocado nesta lista porque faz parte de uma obra fechada, e não uma edição regular mensal. Assim, acredito que sua adaptação tenha sido mais fácil, devido à compilação de número limitado de páginas e com trama já definida. Apesar de algumas adaptações, a obra cinematográfica continuou totalmente verossímil para quem viveu o terror do inverno nuclear em 1985 e fiel aos requisitos básicos do argumento dos quadrinhos, o que garantiu o sucesso em ambos os casos. (PS: Eu queria ser o Rorschach, embora eu goste de mulheres!).
1º Lugar: Homem de Ferro

A melhor adaptação. Personagens centrados em seus históricos dos quadrinhos. Releitura de eventos para a atualidade (Tony não poderia ter sido ferido no Vietnã na adolescência e ter trinta e poucos, poderia?). Robert Downey Jr. perfeito em sua atuação. Mostrou porque o Homem de Ferro era o personagem central das HQ’a da Marvel naquele momento (pós-Guerra Civil e pré-Invasão Secreta). Tratamento digno para o primeiro passo rumo ao maior projeto da Marvel para os cinemas: Os Vingadores.
As 5 piores adaptações das HQ’s para os cinemas
5º Lugar: Demolidor

É com grande, imenso, gigantesco, colossal pesar que indico o Demolidor para este hall da vergonha! Parte de minha alma foi-se para sempre ao indicar meu personagem favorito das HQ’s para a lista, mas a verdade deve prevalecer. O filme foi horroroso. Tanto Demolidor quanto Mercenário e Elektra pareciam ter sido picados por aranhas geneticamente alteradas, dada a magnitude dos saltos e acrobacias que executaram. Um exagero desnecessário. Mas valeu a pena comprar o DVD duplo, pois os extras foram uma das grandes fontes de informação que utilizei na minha monografia!
4º Lugar: Superman – O Retorno

Alguns classificaram como “uma declaração de amor de Bryan Singer ao primeiro filme do Homem de Aço”. Eu classifico como chato, sonolento, previsível e nada criativo. Superman ter um filho com Lois Lane é impossível (assistam à explicação completa com Brody, no filme Barrados no Shopping, de Kevin Smith). Brandon Routh ocupar o lugar de Christopher Reeves é improvável, e Bryan Singer sair de X-Men, inaceitável! Aliás, falando em X-Men, as únicas ilhas que eu aceitaria serem atiradas ao espaço são Krakoa, a Ilha Viva (X-Men!) ou a ilha da Dharma (Lost!).
3º Lugar: Hulk

“Poxa vida, vamos pegar o maior peso pesado da Marvel e fazer um filme. Pra diretor? Bem, aquele japinha… – Chinês. -… que seja! Aquele, que ganhou o Oscar com O Tigre e o Dragão pra dirigir”. Resultado: Hulk lutando contra poodles gigantes! Pobres fãs, que não contaram com Jenniffer Connely como Betty Banner… (aliás, que nada! Tivemos LIV TYLER!).
2º Lugar: Mulher-Gato

Cara, esse filme é tão ruim, mas tão ruim, que deveria ser colocado à parte. Pegaram a Halle Berry pra fazer a Selina Kyle… ops, Patience Philips! Pois é, mudaram até o nome da protagonista! O que resume bem esse filme é uma chamada de capa da revista Set quando do lançamento do filme: “Halle Berry se diverte (e só ela!) com Mulher-Gato”.
1º Lugar: Batman & Robin

Já foi difícil aturar Batman Eternamente com Val Kilmer como Bruce Wayne, mas atuar George Clooney como o Morcegão? “Bruce Wayne: Empresário e Cafajeste, ao seu dispor!”. Batman com seu Bat-Mastercard (“não saio da batcaverna sem ele!”), Bane clone do Hulk, e Governator como Mr. Freeze… além do pior: mamilos em alto relevo nas armaduras (?) de Batman e Robin (por que não na da Batgirl, que era sobrinha do Alfred?). Pior que isso, não dá!
“Menções Honrosas”
- Ao “Destemido” do telefilme O Julgamento do Incrível Hulk (acreditam que era o Demolidor?)
- Ao Justiceiro de Dolph Lundgreen
- Ao antigo Capitão América
- A Blade Trinity
- Ao Anjo e ao Fanático de X-Men: O Confronto Final
- Ao Venom de Homem-Aranha 3
- A todo o elenco de Spawn
- Ao “Galactus” (era ele mesmo?) de Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado
- Ao Duas-Caras de Tommy Lee Jones em Batman Eternamente
- Ao Dr. Destino, maior vilão da Marvel, em Quarteto Fantástico
- Ao excesso de chroma key do Motoqueiro Fantasma de Nicholas Cage
- Ao horroroso filme Liga da Justiça da América
- Ao tenebroso O Sombra
- Ao desprezível O Fantasma
- Às “cenas extras” de 300 (francamente, era só deixar igual à revista!)
- Ao Tentáculo de Elektra
- Grande parte dos 99 minutos de X-Men Origens: Wolverine.